Passaportes de vacina e obrigatoriedade para servidores públicos são algumas das estratégias usadas para garantir imunização.

A maior pandemia do século atingiu o mundo em cheio: o coronavírus foi identificado pela primeira vez na China e, em poucos meses, já estava em quase todos os países do planeta. A ciência correu contra o tempo para criar uma vacina que evitasse mortes e permitisse que a vida voltasse ao normal.

Porém, um ano e meio após o primeiro caso ter sido diagnosticado, ainda tem muita gente que não quer tomar o imunizante contra a Covid-19. No Brasil, o principal problema é a segunda dose: o Ministério da Saúde estima que cerca de 8,5 milhões de pessoas perderam a data de receber o reforço.

Além de o indivíduo não estar protegido contra a Covid-19, não tomar a vacina e o reforço é um problema de saúde pública: é preciso que uma alta parcela da população – em uma estimativa que varia entre 70% e 90% – esteja imunizada para que se alcance a famosa imunidade coletiva, quando o vírus para de circular.

Para convencer a população a se vacinar, os governos e as empresas estão tendo que usar a criatividade. Nos Estados Unidos, um dos países com maior taxa de pessoas que não pretende se imunizar, já foram oferecidos ingressos para festival de música, dinheiro e até cigarros de maconha a quem tomasse a vacina.

Em vários lugares do mundo – e até no DF –, donos de restaurantes oferecem cafés a quem apresentar o atestado de vacinação.

Agora, as ações por parte dos governos internacionais estão sendo mais enérgicas para cercar os indecisos. Em Israel, por exemplo, há o passaporte verde: só quem comprovar a imunização pode ter acesso a alguns locais. Nos EUA, em alguns estados, casas de shows e festivais, assim como bares, também são obrigados a exigir o cartão de vacinação para os frequentadores. O governo americano planeja tornar a vacina obrigatória para todos os membros das Forças Armadas do país.
Na França, o Parlamento aprovou, em julho, uma lei que exige comprovante de vacinação para que a população frequente restaurantes, bares, trens e aviões. Antes da decisão, locais com capacidade para mais de 50 pessoas, como museus, cinemas e piscinas, também deviam cobrar a prova de imunização, ou um teste recente negativo para Covid-19. O passaporte só é emitido depois da segunda dose.

A decisão do governo francês não foi unânime e foi recebida com resistência pela população, que saiu às ruas para protestar contra a medida. Os manifestantes também reclamam sobre a obrigatoriedade de que todos os profissionais de saúde sejam vacinados contra o coronavírus.

O mesmo acontece na Itália, onde é preciso comprovar que recebeu pelo menos uma dose da vacina e testou negativo recentemente para entrar em bares fechados, restaurantes, cinemas, museus e academias. Nas próximas semanas, o passaporte também será obrigatório para algumas profissões, como professores, e para viajar.

Na China, o governo de algumas províncias decidiu que apenas estudantes cujas famílias estiverem completamente vacinadas poderão retornar à escola em setembro, quando começa o ano letivo no país.

No Brasil

No Brasil, o Ministério da Saúde informa que não há campanha específica para incentivar a população a tomar a segunda dose além da que já está em andamento nas redes sociais, e abarca a vacina e o reforço. Questionado sobre se há possibilidade de recomendar o uso de passaportes de vacina no país, a assessoria afirma que esse tipo de orientação não é competência do órgão.
Algumas capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Velho e Florianópolis, já determinaram que todos os servidores públicos terão de ser imunizados obrigatoriamente – quem não tomar a vacina pode enfrentar um processo administrativo disciplinar e até ser exonerado do cargo.

Na capital de Rondônia, o servidor que não apresentar o cartão de vacinação vai levar falta e pode ter desconto salarial a cada dia sem o comprovante. O Espírito Santo também aprovou a obrigatoriedade desde 1º/5.
Ceará, Bahia e Alagoas também estudam a determinação, e vários municípios já obrigam os servidores a se imunizar.
Empresas particulares também podem demitir por justa causa funcionários que se recusarem a tomar a vacina. A decisão foi tomada pelo Tribunal Regional de Trabalho (TRT) de São Paulo em 24/7 e é embasada pela relação de deveres entre empregador e empregado – se o indivíduo se contamina no ambiente de trabalho, gera responsabilidade à empresa.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou uma nota em janeiro orientando que, sem justificativa para a recusa, a empresa pode advertir, suspender ou demitir por justa causa o funcionário não vacinado.
A obrigatoriedade do passaporte da vacina para entrar em alguns ambientes em âmbito nacional está tramitando no Congresso, e não tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que já sinalizou veto caso o projeto seja aprovado pela Casa.

Fonte: Metrópoles