Estudo avaliou que os níveis de anticorpos em pessoas imunizadas com o composto foram menores em comparação com outros imunizantes; especialistas alertam, no entanto, que pesquisa ainda é preliminar.

Após a divulgação de um estudo preliminar feito por especialistas da Universidade de Nova York, publicações sugerem que a vacina contra a Covid-19 de dose única, do laboratório Johnson & Johnson pode ser menos efetiva contra a variante Delta do coronavírus. O infectologista Renato Kfouri esclarece que durante o experimento os pesquisadores observaram o comportamento dos anticorpos contra a variante indiana produzidos por pessoas que tomaram vacinas diferentes. No caso da Janssen, os níveis de anticorpos produzidos foram menores, mas isso não significa que o imunizante seja menos eficaz. “Trata-se de um estudo preliminar que não avaliou eficácia da vacina e sim os níveis de anticorpos induzidos por ela. Não se pode traduzir essa resposta de anticorpos como eficácia clínica protetora. É preciso de mais dados, é preciso olhar com cautela o que vem acontecendo na prática, no mundo real. Por enquanto, não há nenhuma evidência que os indivíduos vacinados com a Janssen respondem de forma pior.”

A epidemiologista e professora Titular da Universidade Federal do Espírito Santo Ethel Maciel, acredita que ainda é cedo para tirar conclusões. “Ainda precisamos entender um pouco melhor. A própria Johnson & Johnson, que fez os estudos em relação a essa variante, discorda de algumas das conclusões, então há ainda uma incerteza. O Centro de Controle de Doenças nos Estados Unidos, assim como a agência regulatória americana, a FDA, não se manifestaram sobre a necessidade de uma possível segunda dose ou da vacina da Janssen mesmo ou da vacina da Pfizer ou Moderna, fazendo um mix de doses”, esclareceu. A pesquisa ainda precisa ser ampliada e só vai ter validade depois que for revisada por cientistas que não tem ligação com a equipe responsável. Por isso, ainda são necessários muitos estágios para que ela chegue a conclusões e possa ser publicada nas revistas especializadas.

Segundo a pesquisadora e coordenadora da Rede Análise Covid-19, Mellanie Fontes-Dutra, a pesquisa foi feita com amostras de sangue em laboratório, o que pode não refletir o desempenho da vida real. “Para a gente dizer que uma vacina protege ou não protege, a gente precisa mais do que esses estudos in vitro. Precisamos também dos estudos de vida real mostrando o quanto impacto em hospitalizações, casos graves e também em óbitos”, disse. A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos informou que os americanos que completaram o ciclo de vacinação, com dose única da Janssen e duas doses das outras marcas, não precisam de reforço neste momento.

Fonte: JP Noticias