Governo do Amazonas trabalha várias frentes em meio a ampliação de leitos para suprir a necessidade do Estado que entrou na fase de “aceleração descontrolada” do novo coronavírus, segundo definição do Ministério da Saúde.

O Governo do Amazonas trabalha em várias frentes para ampliar a quantidade de leitos clínicos, de UTIs e de profissionais da saúde no atendimento aos pacientes de Covid-19. Uma das iniciativas foi alugar por R$ 866 mil ao mês um prédio no Hospital Nilton Lins, com capacidade para abrigar 400 leitos, clínicos e de UTI, onde funcionou o hospital da Unimed, com todos sistemas, por exemplo, de gases instalados e funcionando. Entretanto, na noite da última quarta-feira (15), o juiz Cezar Luiz Bandiera suspendeu o contrato do Estado com o Hospital Nilton Lins. Interrompendo um dos planos de combate do Estado.

O juiz Bandiera, da 5ª Vara da Fazenda Pública, concordou com ação popular, que sustenta elevado valor do contrato: R$ 2,6 milhões por três meses, ou R$ 866 mil por mês.

Para efeitos comparativos, o Governo do Rio de Janeiro anunciou na segunda-feira, 13/04, que a cidade carioca receberá dois novos hospitais de campanha, portanto com estruturas adaptadas para funcionarem como hospital, ao custo de R$ 95 milhões. As duas estruturas, juntas, terão 200 leitos, ou seja, metade da capacidade do Hospital Nilton Lins, cujo aluguel de toda sua estrutura é de R$ 866 mil por mês para o Estado instalar as UTIs e leitos clínicos. Com o avanço acelerado dos casos positivos de pacientes com COVID-19, muitas vidas são colocadas em riscos após a decisão.

Ao aceitar a ação popular, assinada por Eduardo Humberto Deneriaz Bessa, o juiz Bandiera sustenta que o Estado deveria usar o valor do aluguel para abrir mais leitos no Hospital Delphina Aziz, unidade referência no combate ao coronavírus, que deveria investir na Beneficente Portuguesa ou nos hospitais particulares.

O Governo do Amazonas tem apresentado várias ações para atender a população e enfrentar a pandemia. Com o Ministério da Saúde, firmou convênio de R$ 15 milhões por mês para abrir mais leitos no Delphina Aziz. A Beneficente Portuguesa tem 15 leitos que podem ser transformados em UTI. Já a rede particular foi a primeira a ser comprimida com a pandemia e não consegue dar assistência aos próprios clientes de plano de saúde.

Além disso, o Governo do Amazonas anunciou a convocação imediata de 517 profissionais de saúde aprovados no concurso dos Bombeiros de 2009 e que no atual Governo foram chamados para o curso de formação. O Governo também lançou nos últimos dias a contratação temporária, com seleção nesta quinta e sexta-feira, dias 16 e 17/04, de 704 técnicos de enfermagem para reforçar o combate ao coronavírus na rede estadual.

Estado precisa de urgência devido aceleração descontrolada

Amazonas entrou na fase de “aceleração descontrolada” do novo coronavírus, segundo definição do Ministério da Saúde. O Estado tem a maior taxa de incidência da doença para cada 100 mil habitantes. Enquanto a taxa nacional é de 7,5 casos por 100 mil habitantes, a do Amazonas, segundo informações divulgadas na semana passada pelo Ministério da Saúde, era de 19,1 casos para cada 100 mil habitantes.

De acordo com a FVS-AM, a capital amazonense concentra 1.554 casos confirmados na última quarta-feira, quando a decisão do juiz foi divulgada em torno das 21h00. Já são 140 pacientes internados e 106 óbitos confirmados em apenas um mês após o paciente testar positivo no Amazonas.  Com uma incidência de mais de 70 casos confirmados em apenas 24 horas, a decisão freia o processo que o Estado vinha desenvolvendo na expansão de leitos no combate à pandemia.