Julgamento do caso já é o mais longo da história do Rio Grande do Sul, chegando ao sétimo dia nesta terça-feira; expectativa é de que dure mais uma semana.

O julgamento dos réus da boate Kiss no fórum central de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, se tornou mais longo da história do judiciário gaúcho ao chegar no sexto dia na última segunda-feira, 07. O caso anterior foi o de menino Bernardo, com cinco dias, em 2019. Três testemunhas foram ouvidas a pedido da defesa de Elissandro Spohr, além de uma vítima. O primeiro a falar foi ex-funcionário, hoje empresário, Stenio Fernandes, que cuidava dos ingressos e negou a lotação no dia da tragédia. Apesar de desconhecer pirotecnia na boate, a testemunha confirmou que houve problemas com fogos no palco em uma festa anterior. “Eram fogos, em cima de uma caixa de som, que explanavam faíscas. A vela, eu muitas vezes recebi, porque eu não trabalhava durante a noite na boate, eu recebi e nunca me incomodou. Eu não sei que tipo de vela era da boate, sinceramente.
Eu nunca fui informado e eu nunca perguntei também, mas eu acredito que, pela proporção que a gente está fazendo esse comparativo, era completa diferente”, afirmou.

A segunda testemunha foi Willian Machado, sobrevivente e sobrinho do réu Elissandro. Ele era promoter e cuidava da divulgação dos shows. Também confirmou que, em uma das festas, em um banner, estava o convite com as ‘velas’ que são colocadas em garrafas de champanhe. A terceira testemunha do dia foi Nathália Daronch, esposa do réu Elissandro Spohr e que estava na boate no dia do incêndio. Ela se negou a ver vídeos que foram colocados no telão pelo Ministério Público, o que irritou a promotora Lúcia Helena Callegari, que deixou de perguntar e passou para a assistência da acusação, explicitando a tensão ao ambiente. Assim que Nathália Daronch começou a elogiar Elissandro como pai e chorar, familiares das vítimas deixaram o plenário indignados.

A quarta testemunha ouvida foi o motorista Márcio de Jesus dos Santos, irmão de Marcelo, vocalista da banda e um dos réus. Márcio era percursionista da banda Gurizada Fandangueira. Ele confirmou que o uso de fogos de artifícios era uma característica do grupo. “A abertura do show sempre era feita assim. Tinha dois sputiniks que iam no chão, um em cada lado do palco, sempre que permitido. Enquanto nós tocávamos, o Luciano vinha, montava a luva na mão do Marcelo, quando começava a música, estava programado de ter o segundo disparo que era da luva como sempre era feito”, contou. Outros 11 depoimentos ainda serão ouvidos, 19 pessoas já falaram ao júri na condição de testemunhas, sobreviventes e informantes. Pelo andamento dos depoimentos, os quatro réus devem depor a partir da próxima quinta-feira, 9, e a estimativa de duração de 15 dias vai se confirmando.

Fonte: JP Notícias