Ministério da Saúde anunciou que aplicação do reforço para idosos e imunossuprimidos começa a partir do dia 15 de setembro; infectologista diz que vacinação é ‘divisor de águas’ da pandemia.

O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira, 25, o início da aplicação da terceira dose da vacina contra a Covid-19. A proposta é que, a partir de 15 de setembro, pessoas com mais de 70 anos e imunossuprimidos recebam o reforço. Logo após a definição, o governo de São Paulo anunciou que a aplicação será ampliada no Estado, abrangendo cidadãos com mais de 60 anos e com início a partir de 6 de setembro. “Temos uma situação de melhora progressiva dos indicadores, mas também temos uma preocupação muito importante, especialmente com a presença crescente da variante Delta na nossa população”, disse. De acordo com o coordenador do Centro de Contingência de São Paulo, Paulo Menezes, a dose adicional será para aqueles que já completaram os seis meses da segunda dose, porque começam a perder os anticorpos. “Mesmo com boas coberturas vacinais, a variante Delta se espalhou, se tornou dominante, e neste momento entendemos que é um passo a mais na segurança de proteção da população mais vulneráveis essa possibilidade de ter a dose adicional”, afirmou.

De forma geral, a ciência já orienta que a terceira dose é necessária, explica o infectologista Marcos Boulos. Ele lembra que os imunizantes, mesmo com duas doses, já protegem. “Tem importância na evolução da doença, porque diminuem a intensidade e a gravidade. Por isso é necessário vacinar, principalmente em uma doença que já chega a 600 mil mortes. Com duas doses a proteção também é reconhecida, principalmente para casos mais graves”, disse. O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, lembra que as vacinas salvam vidas. “Sem dúvidas é o divisor de águas nessa pandemia. Podemos dividir a pandemia antes e depois da vacinação, o cenário é completamente diferente os ganhos em número de vidas salvas foram enormes até o momento.”

Estados como Rio de Janeiro e São Paulo têm adotado um esquema de vacinação diferente do proposto pelo Ministério da Saúde e já chegaram a interromper a vacinação em dados momentos alegando falta de remessas de doses pelo governo federal. Nesta quarta-feira, o ministro Marcelo Queiroga defendeu a soberania do Programa Nacional de Imunização (PNI) e disse que os Estados e municípios devem seguir as orientações do governo federal. “Se a gente decide que os profissionais ou os trabalhadores de saúde, nesse momento, não serão contemplados com essa dose de reforço, não vale na demagogia vacinal de Estado A ou B dizer que vai aplicar doses em trabalhadores de área de saúde.”

Fonte: JP Notícias