O trabalho de telemonitoramento de pacientes com tuberculose, executado pela Prefeitura de Manaus, foi uma das 23 experiências selecionadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para publicação em livro, reunindo ações de 19 países para controle da doença durante a pandemia da Covid-19.

A inscrição do trabalho para a publicação da OMS foi feita pelo Programa Nacional de Tuberculose, a partir de uma seleção entre experiências nacionais. A publicação (Programmatic innovations to address challenges in tuberculosis prevention and care during the COVID-19 pandemic) descreve o uso do telemonitoramento de pacientes com tuberculose, que foi instituído em Manaus em novembro de 2020, com o objetivo de fornecer suporte e acompanhar o tratamento das pessoas diagnosticadas com a doença.

“O telemonitoramento é uma estratégia que começou a ser usada pela Prefeitura de Manaus devido à pandemia, para acompanhar pacientes com sintomas da Covid-19. O serviço foi ampliado para atender pacientes com tuberculose, complementando o atendimento realizado nas unidades de saúde, reduzindo o risco de abandono de tratamento. E a seleção desse trabalho pela OMS para a publicação é mais um reconhecimento do esforço que foi empregado pelos profissionais de saúde na manutenção do cuidado aos usuários do Sistema Único de Saúde durante o período da pandemia”, afirma a secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe.

O serviço de telemonitoramento é realizado por uma equipe composta por enfermeiros e médicos da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e permitiu que as Unidades de Saúde continuassem a fornecer suporte e monitorar os pacientes com tuberculose de forma contínua, mesmo com a sobrecarga das demandas nos momentos mais graves da pandemia da Covid-19 em Manaus.

“O tratamento da tuberculose dura, no mínimo, seis meses, por isso o risco de abandono é alto. Além disso, como é feito com o uso de antibióticos, o abandono do tratamento pode gerar uma resistência do organismo ao medicamento, o que vai tornar a cura da doença ainda mais difícil. Com o êxito do telemonitoramento no acompanhamento dos pacientes, a Semsa decidiu manter o serviço na rotina de atendimento”, informa o chefe do Núcleo de Controle da Tuberculose da Semsa, enfermeiro Daniel Sacramento.

Serviço

No telemonitoramento, são realizadas ligações telefônicas para o paciente a cada 15 dias ou com maior frequência, dependendo da avaliação realizada pela equipe. Os profissionais fornecem informações sobre a doença e o tratamento, além de avaliar a necessidade de encaminhamento para os serviços de suporte social, o que pode incluir benefícios como o recebimento de cestas básicas, o aluguel social e benefício de prestação continuada.

Desde o início do telemonitoramento, já foram realizados 2.773 contatos telefônicos, atendendo 427 pacientes com tuberculose até o momento.

“Caso a equipe do telemonitoramento identifique que há necessidade de o paciente receber um suporte com avaliação presencial, principalmente em caso de risco de abandono do tratamento, é feito o encaminhamento para a unidade de saúde, quando será definida a melhor abordagem ao paciente”, explica Daniel Sacramento.

Em Manaus, a Semsa registrou este ano 1.019 casos novos de tuberculose, sendo 110 pacientes com coinfecção tuberculose/HIV. Dos 1.019 casos novos, 879 são na forma pulmonar, 93 na forma extrapulmonar e 47 com forma mista (pulmonar+extrapulmonar). Desse total de casos, 60,4% foram registrados em pessoas do sexo masculino, com 44,3% dos casos na faixa etária de 20 a 39 anos, seguidos de 30,2% entre pessoas de 40 a 59 anos.

A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, causada pela Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de Koch (BK), e afeta principalmente os pulmões, mas pode atingir outros órgãos e sistemas do corpo humano. Sendo uma doença de transmissão aérea, ao falar, espirrar e, principalmente, ao tossir, as pessoas com tuberculose ativa lançam no ar partículas em forma de aerossóis que contêm bacilos, podendo transmitir a doença para outras pessoas.

O principal sintoma é a tosse e por isso a recomendação é que todo sintomático respiratório – pessoa com tosse por duas semanas ou mais – procure uma unidade de saúde para ser examinado.

Na rede municipal, de janeiro até junho de 2021, foram realizados 5.210 exames de escarro em pessoas com sintomas respiratórios (tosse por duas semanas ou mais). O acolhimento à pessoa com sinais e sintomas suspeitos de tuberculose é realizado em todas as unidades municipais de saúde e o tratamento é gratuito e disponível somente na rede SUS.

Texto- Eurivânia Galúcio / Semsa
Fotos– João Viana / Arquivo Semcom