O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez nesta quinta-feira (9) sua primeira live desde que confirmou que estava contaminado pelo coronavírus, no início da semana.

Bolsonaro fez a transmissão sem máscara, apesar de estar acompanhado por pelo menos uma pessoa na sala. “Tem um cara a 10 metros de distância na sala aqui, então não tem problema de estar contaminando ninguém aqui, para inclusive evitar críticas”, disse o presidente.

As recomendações de médicos para alguém que esteja contaminado pelo coronavírus incluem o isolamento, sem contato com outras pessoas, e o uso de máscara. Há a possibilidade de gotículas que ficam suspensas no ar do ambiente contenham o vírus e sejam inaladas por outras pessoas.

O presidente, inclusive, defendeu seu veto a uma lei que exigia o uso de máscaras em lugares fechados, dizendo que ela estimularia as multas. “Ou seja: aqui, eu poderia, em tese, ser multado agora por alguém do DF por não estar usando a máscara ao fazer essa live”, pontuou.

Na transmissão, Bolsonaro voltou a elogiar a cloroquina e disse que começou a tomar o remédio quando teve sintomas e que continuaria se tratando por meio do medicamento, cuja eficácia para tratamento da covid-19 é questionada e que já foi abandonado por diversos países. “É um testemunho meu. Deu certo e estou muito bem. Aqueles que criticam, apresentem uma alternativa”, disse.

Bolsonaro ainda negou que estivesse fazendo propaganda para a cloroquina, dizendo não ter negócios com os laboratórios que produzem a droga. E voltou a recomendar o uso dela, mesmo reconhecendo que não há comprovação científica. “Tem centenas de relatos de médicos e de infectados dizendo que ela deu certo. Quem não quiser tomar, não toma, mas não fica aí querendo proibir”, concluiu.

Durante a live, o presidente novamente afirmou temer a “destruição dos empregos” como decorrência da crise econômica e disse que o desemprego leva à morte, à depressão e ao suicídio. Ele citou uma conversa com um policial rodoviário federal, de Minas Gerais, que teria afirmado que as mortes por atropelamento na região triplicaram desde o início da pandemia.

“Ele me falou: ‘presidente, pelo que tudo indica, não está comprovado, mas a causa disso é suicídio’. Não está comprovado esse dado, o policial que falou comigo falou que é uma suposição da parte dele que poderia ter sido suicídio”, declarou Bolsonaro.

Gabinete do ódio

No fim da transmissão, o presidente mostrou uma série de imagens e mensagens de pessoas que fazem alusão a sua morte, ou dizem torcer por sua morte, reclamando de que tais publicações não teriam sido derrubadas pelo Facebook – que, na quarta (9), tirou do ar perfis e páginas de pessoas próximas ao presidente, seus filhos e políticos do PSL. Entre os alvos da ação está Tércio Arnaud Tomaz, assessor especial da Presidência.

Bolsonaro disse que não pediria que nenhuma página saísse do ar e negou que ele e sua equipe promovam o ódio. “Eu desafio que essa imprensa me aponte um texto meu de ódio, ou dessas pessoas que estão do meu lado. Uma imagem minha de ódio. É o tempo todo acusando o ódio. O que eu ganharia agora acusando quem quer que seja no Brasil? Zero”, criticou o presidente, que se disse perseguido.

“O que é material de ódio? Me apresente um texto que tenha saído de um Facebook meu ou outra mídia social qualquer batendo no Legislativo ou no Judiciário. Não existe isso”, declarou.

Presidente chama lei que beneficia indígenas de “inócua”

Na live desta quinta, Bolsonaro ainda afirmou que vetou o projeto que obriga o governo a fornecer água potável, higiene e leitos hospitalares em territórios indígenas porque não há recursos federais para isso. “Vai arranjar dinheiro de onde? É uma lei completamente inócua”, declarou.

Já no final da transmissão, ele falou que espera resolver a situação do Ministério da Educação nesta sexta-feira – o MEC está sem titular desde a saída de Abraham Weintraub, há 20 dias. “É um grande problema. É muita gente boa, mas quando vê o problema que é ser ministro da Educação, a pessoa recua”, lamentou.

Fonte: Yahoo