Com clima favorável para o cultivo de uvas, a região da capital se torna também um destino para os fãs da bebida.

Quem mora no Distrito Federal, ou apenas passa um tempo na região, sabe que o clima sempre pode surpreender. Com oscilações entre altas e baixas temperaturas, em um mesmo dia, principalmente no inverno, o centro do país se tornou o lugar ideal para o cultivo de uvas viníferas. Ou seja, aquelas ideais para a produção de vinho.

Diferente da forma tradicional de colheita veranil, os vinhedos do DF passam pela dupla poda, uma modificação do ciclo que faz as uvas estarem prontas para a vindima (colheita) no inverno. Ou seja, elas passam por uma poda de formação de ramos e depois uma poda de produção. “Elas exigem cuidados durante todo o ano”, enfatiza Ronaldo Triacca, proprietário da Villa Triacca Eco Pousada e Vinhos e sócio da Vinícola Brasília.

Mas o que move muitos produtores da capital também é a tradição familiar e o apreço por uvas e vinhos, como é o caso de José Alberto Bardawil. “É uma paixão antiga e um sonho poder colher nossas próprias uvas e estar escrevendo esta história no DF”, afirma o responsável pela Fazenda Califórnia.

Mas a ideia de produzir vinhos no centro do país também movimenta um outro lado do cenário, o enoturismo. Espaços como a Villa Triacca e a Ercoara – Cordeiro e Vinho oferecem uma experiência diferente aos visitantes. E a ideia é tornar essa prática cada vez mais comum na cidade.

“Estamos unindo forças para estruturar, qualificar, promover e impulsionar a nossa economia pelo turismo gastronômico e pelo enoturismo. Assim, podemos gerar desenvolvimento local, emprego e renda”, explica a secretária de Turismo do DF, Vanessa Mendonça. Segundo ela, está sendo criada a Rota do Vinho, que vai mostrar todos os vinhedos existentes no DF.

Quem já aproveita para desbravar as opções turísticas da região é a jornalista Bárbara Lins. Ela ressalta que existe muita qualidade no trabalho desenvolvido pelos produtores rurais. “Desde a qualidade da plantação, até o atendimento aos visitantes. Quem vai a esses vinhedos é recebido com tanta informação e paixão dos donos, que sai de lá encantado”, afirma.

Conheça alguns espaços de produção de uvas e vinho e propostas de enoturismo e descubra qual será sua próxima experiência com produtos locais!

Villa Triacca

Há 10 anos no ramo de hospedagens, a Villa Triacca Eco Pousada e Vinhos começou com seis quartos e hoje oferece um amplo espaço de lazer para os hóspedes. Foi em 2018 que o proprietário Ronaldo Triacca, junto com a esposa Ana, resolveu começar com o cultivo de uvas para vinificação.
Agora, todos os sábados os hóspedes passeiam pelo vinhedo do local e conhecem a produção de uvas syrah, marselan, sauvignon blanc e sangiovese. Em seguida, eles têm a oportunidade de experimentar os dois vinhos da casa: o rosé Dona Irani e o tinto Seu Claudino, ambos feitos com syrah. Mas a ideia é chegar a cerca de oito rótulos, sendo que mais dois já estão em produção.

Outra proposta da Villa Triacca é investir em jantares harmonizados com os vinhos de colheita invernal. O projeto deve ser colocado em prática mais a frente e abrir espaço para que não-hóspedes também possam conhecer a área da pousada.

Ercoara

Uma das primeiras a investir na produção de vinho, a Ercoara – Cordeiro e Vinho oferece semanalmente uma experiência enogastronômica ao público. No terreno, é possível conhecer a plantação de uvas syrah e o espaço de criação de ovelhas e cordeiros.
“Nosso projeto é trazer para o brasiliense uma experiência com vinho, produção de cordeiro e culinária do Cerrado”, explica um dos sócios da fazenda, Rodrigo Sucena. Ao lado de Erbert e Erick Araújo, ele comanda o espaço que está prestes a lançar dois rótulos, um rosé e um varietal de syrah.
O projeto segue em expansão. Depois da segunda safra de syrah, a ideia é introduzir quatro novos tipos de uvas na plantação: cabernet franc, marselan, sauvignon blanc e viognier.

Marchese

O casal Renata Sanches e Fabrício Marchese está no primeiro ano de cultivo de uvas na Marchese Vinhos e Vinhedos. De acordo com Renata, eles devem ter a primeira vindima em agosto do próximo ano.
Por enquanto, eles começam a fazer as primeiras experiências enogastronômicas do espaço. Nos dias 21 e 22 deste mês, eles farão a primeira edição do projeto Adote uma videira, onde as pessoas vão plantar mudas e poder acompanhar o crescimento delas. “Dizem que a gente tem que plantar uma árvore na vida e a videira é o símbolo da vida”, brinca Renata.
A proposta do evento inclui também passeio pelo vinhedo, degustação de vinhos do Cerrado, mesa de comidas típicas da região e jantar com arroz carreteiro feito no arado. As vagas são limitadas e é preciso verificar a disponibilidade no telefone (61) 99820-6779.

Oma Sena

O vinhedo comandado pela família Bonato homenageia a matriarca da família. “Oma Sena é ‘Vó Sena’ em alemão. No mundo do vinho tem muita homenagem aos homens, então a gente quis mudar isso e materializar todas as mulheres fortes que tivemos na família em uma pessoa só, minha avó”, explica Isabella Bonato, que comanda a fazenda com a mãe Cristina, o pai Paulo e o irmão Rafael.
Neste inverno, eles colhem a primeira safra de uvas sauvignon blanc e syrah e farão a primeira microvinificação da Oma Sena. No próximo ano, eles começam em meados de abril, o projeto de piqueniques harmonizados no vinhedo e devem apresentar a produção da casa nas experiências enogastronômicas.

Vista da Mata

Assim como a Marchese, a Vista da Mata ainda está no primeiro ano de cultivo. Por lá, a primeira vindima deve ocorrer apenas no próximo inverno, mas, além da uva syrah, terá também cachos de tempranillo e sauvignon blanc.
De acordo com o proprietário Alexandre Ahlert, a ideia é produzir vinhos varietais, ou seja, feitos com apenas uma uva. Mas ainda trabalhar alguns blends e evoluir a plantação para um espaço de enoturismo. “É algo desafiador e trabalhoso. Mas é uma aposta, uma cultura nova, mesmo para mim que venho de família produtora de uvas”, ressalta Ahlert.

Fazenda Califórnia

Sob cuidados de José Alberto Bardawil, a Fazenda Califórnia produz tanto uvas de mesa, quanto viníferas. Como é comum aos territórios brasilienses, uma das uvas para vinho é a syrah, mas também é possível encontrar barbera e tempranillo. Por lá, a produção de vinho é artesanal e feita para o consumo da família e de amigos.
Na lista de produtos que o público pode experimentar estão as geleias, brigadeiro de uva, tarteletes e o recém-lançado sorvete de syrah. Mas a Fazenda também abre espaço para visitação durante as colheitas. “Nós fazemos a Festa da Vindima com a ideia de proporcionar uma experiência sensorial e permitir que as pessoas vivenciem nossa colheita”, explica Bardawill. A próxima edição deve ocorrer entre final de agosto e início de setembro.

Vinícola Brasília

Com a ideia de tornar a capital do país uma referência quando o assunto é vinho, 10 sócios se juntaram para formar a Vinícola Brasília. A operação vai incentivar os produtores associados a produzir vinhos finos e de qualidade. De acordo com Triacca, a ideia é que cada vinhedo produza de oito a 10 rótulos. Além do blend que levará o nome da marca e terá uvas das 10 propriedades.
A previsão é que o espaço que abrigará galpões de produção, lojas e restaurante esteja completamente pronto em pouco mais de um ano. Além dos já citados Ercoara, Oma Sena, Villa Triacca, Vinícola Marchese e Vista Da Mata, também fazem parte da sociedade os espaços Casa Vitor, Hartos – Vitivinicultura, Horus Vinhos e Vinhedos do Planalto, Miro Vinhos e Vinhedos e Toscana do Cerrado.

Fonte: Metrópoles