Manaus | 4 de junho de 2026 | 12:39:17

RJ: enfermeira denuncia colega por caneca em alusão à Ku Klux Klan

Técnica de enfermagem é negra e atua no Hospital Federal dos Servidores do Rio de Janeiro. “Me senti ferida em minha existência”, conta.

A técnica de enfermagem Rosana Rezende dos Santos denunciou, na última semana, uma colega de trabalho pelo uso de uma caneca com símbolos em referência à Ku Klux Klan, organização racista norte-americana.

As profissionais atuam no Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), no Centro do Rio de Janeiro. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Federais em Seguridade e Seguro Social do Rio de Janeiro (Sindsprev-RJ), que auxiliou a técnica na denúncia à ouvidoria da instituição, a caneca contava com a frase “Sou da cuscuz Klan”.

O grupo supremacista, também conhecido como KKK, surgiu na década de 1870 nos Estados Unidos, após a guerra civil do país. A organização é conhecida por perseguir pessoas negras e judias em ações violentas, como ataques a escolas e igrejas.

Segundo o Sindsprev, Rosana tentou conversar com a colega, identificada como Marília Romualdo do Amaral, antes de formalizar a denúncia à ouvidoria. No entanto, não teve sucesso.

“Perguntei a ela se tinha ciência do que representa a Ku Klux Klan, uma organização terrorista criada por ex-soldados confederados com objetivo de perseguir e assassinar negros. Mas ela se limitou a responder que ‘estava brincando’ e que eu teria de respeitar a opinião dela”, disse Rosana, que é negra.

De acordo com o Sindsprev, a técnica de enfermagem chegou a procurar a chefia do setor, mas as encarregadas disseram que “não poderiam tomar partido”. Uma das enfermeiras que lidera a equipe chegou a relativizar a queixa de Rosana.

“A enfermeira Kelly Baquero chegou ao absurdo de comparar a minha denúncia a uma situação em que, por exemplo, ela estivesse fazendo comentários depreciativos sobre meu cabelo [de trança nagô] e pedisse para eu não mais usar. Mas a comparação foi infeliz porque, na verdade, trata-se de situações absolutamente diferentes”, disse.

Denúncia à ouvidoria

Após as negativas da chefia de setor, Rosana procurou o sindicato, que a auxiliou na formalização de denúncia à ouvidoria do hospital. Ela pede que o caso seja apreciado pela Comissão de Ética da instituição de saúde.

“Me senti muito mal, ofendida, extremamente desrespeitada e ferida em minha existência, como uma mulher negra que sou, ao ver a propaganda da Ku Klux Klan”, concluiu.

 

 

Fonte: Metrópoles

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