Estudo mostra como o composto do vinho tinto pode melhorar a saúde cardiovascular.

A hipertensão arterial é uma das principais causas de condições médicas com risco de vida, como ataques cardíacos e derrames. E de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças, ela é experimentada por cerca de um em cada três adultos nos Estados Unidos.

Por mais de uma década, os cientistas descobriram ligações entre o resveratrol, composto do vinho tinto que tem sido amplamente pesquisado por seus diversos benefícios para a saúde e baixa pressão sangüínea. Um novo estudo realizado por pesquisadores do King’s College London esclareceu por que o polifenol pode ser bom para a saúde cardiovascular.

O estudo, publicado na revista médica Circulation, da American Heart Association, e financiado em parte pela British Heart Foundation, testou o resveratrol em camundongos com pressão alta e observou seus efeitos em nível molecular. Os pesquisadores descobriram que o resveratrol reduziu a pressão arterial nos ratos, assim como nos estudos anteriores. Mas eles também registraram a maneira surpreende como isso ocorre.

Nós mostramos que, sob condições que refletem doenças cardíacas e circulatórias, o resveratrol age como um oxidante para baixar a pressão arterial”, escreveram os pesquisadores do estudo em um comunicado. Em termos simples, eles viram que o resveratrol adicionava oxigênio às proteínas, desencadeando “vasorelaxamento”, o que significa que os vasos sangüíneos se expandem, permitindo que a pressão sangüínea diminuía.

Esse achado é particularmente interessante porque o resveratrol é frequentemente elogiado por suas propriedades como antioxidante – essencialmente, o oposto do que é descrito aqui. Antioxidantes têm sido elogiados por muito tempo porque, teoricamente, ajudam a defender suas células dos danos causados por moléculas potencialmente prejudiciais conhecidas como radicais livres que desencadeiam o estresse oxidativo nas células.

O novo estudo sugere que o resveratrol e outros “antioxidantes” podem realmente ajudar, adicionando oxigênio. “Nossas descobertas questionam a ideia de ‘antioxidantes'”, escreveram os pesquisadores. “Achamos que esta pode ser a mesma história para muitas outras drogas e compostos que atualmente consideramos antioxidantes”.

Essa descoberta pode levar a uma mudança na compreensão de como o resveratrol funciona, e os pesquisadores acreditam que suas descobertas podem ajudar a criar novos e aprimorados tratamentos para pressão alta.

Embora o estudo tenha sido realizado em camundongos, os pesquisadores sugerem que os resultados seriam semelhantes em humanos, apontando que o resveratrol pode atuar no mesmo caminho nas células humanas. “O próximo passo será alterar o resveratrol, ou desenvolver novas drogas que visem esse caminho, para ajudar a baixar a pressão arterial”, apontam eles, observando que outros estudos testaram altas doses de resveratrol em humanos para resultados mistos. “Se formos usar com sucesso o resveratrol no futuro, provavelmente seria uma forma alterada, que é mais potente e chega aos vasos sanguíneos melhor.”

Essa forma não será o vinho. Apesar dos estudos anteriores relacionando o consumo moderado de álcool à saúde do coração, os pesquisadores advertem que seu benefício observado com o resveratrol não seria alcançado com o consumo moderado, explicando que a quantidade de resveratrol que consumiria para diminuir a pressão arterial é equivalente a mais de 1.000 garrafas de vinho por dia – claramente não é uma dose recomendada.

Fonte: Wine Spectator; Meu vinho.