Com o avanço da vacinação, roteiros no exterior voltaram a permear o imaginário dos brasileiros. Mas o cenário ainda pede atenção e cautela.

Poucos dias após o anúncio de que os Estados Unidos voltariam a receber turistas do Brasil, viajantes ávidos por pisar em território norte-americano começaram a bater na porta das agências de viagens. O período em isolamento social despertou os instintos nômades até do mais pacato amante da rotina, e, ao que tudo indica, os brasileiros vão querer voltar a experimentar o mundo novamente, assim que for seguro.

Com o avanço da vacinação, governos estrangeiros ensaiam uma gradual retomada do turismo internacional. Atualmente, mais de 100 países autorizaram a entrada de viajantes do Brasil.

Somente neste mês de setembro, ao menos três nações abriram as fronteiras para turistas de origem brasileira: Bélgica, República Tcheca e Canadá. Além deles, Argentina e Estados Unidos anunciaram data para o retorno de turistas brasileiros — a partir de outubro e novembro, respectivamente.

“Já imaginávamos o reaquecimento do setor, e esse movimento tem sido confirmado com um aumento na procura de voos e hospedagens internacionais desde o fim de julho — época em que começaram os primeiros anúncios de abertura de alguns países”, ressalta Davi Damazio, diretor-geral da myWorld no Brasil, grupo dono da plataforma on-line de viagens travelWorld.

Dados do levantamento publicado pela Booking.com em território nacional também confirmam o cenário. A maioria dos turistas consultados tende a explorar destinos bem longe de suas casas, revelando preferência por viagens de longa distância. Além disso, 10% priorizam roteiros internacionais.

O momento, no entanto, ainda pede cautela. Os índices sanitários do país são uma espécie de termômetro para determinar o status das viagens no pós-pandemia — e quando será esse pós. Em constante movimento, as autorizações são revistas periodicamente, e os países saltitam entre grupos de listas verdes, amarelas e vermelhas.

Por isso, mesmo com as fronteiras abertas, as áreas de desembarque internacional empilham filas de viajantes com bolos de documentos em mãos — comprovantes de vacinação, provas de quarentena, vouchers de seguro saúde e resultados de testes negativos.

Perfil do viajante

Entre os destinos mais procurados, estão os europeus Portugal e Espanha — que estavam entre os preferidos dos brasileiros no velho continente mesmo antes da pandemia —, e os paradisíacos cenários do Caribe, de portas abertas há mais tempo. Em especial, o México e a República Dominicana.

“Esse fluxo já voltou a aparecer há algum tempo. As pessoas procuram a agência em busca de um destino aberto para viajar. Quem tem uma viagem internacional em mente, em geral parte para Cancun ou Punta Cana”, explica Thiago de Paula, diretor da Kemp, agência de viagens brasiliense.

Na visão do profissional, quem busca por uma viagem mais próxima e certeira deve investir em destinos mais próximos, pelo menos por enquanto. “A maioria das pessoas que quer viajar para a Europa busca um roteiro por vários países, o que agora ainda conta com limitações. Em termos de segurança e preços mais acessíveis, certamente as melhores opções são os países da América”, considera.

Dólar nas alturas

Outro fator na equação é o alto índice do dólar. Com flutuações em torno de R$ 5, viajar em dólar, euro ou libra pode pesar bastante no orçamento. “A alta deve deixar o viajante um pouco mais contido em termos de viagens internacionais, mas pelo que temos observado isso não impedirá os brasileiros de cruzar as fronteiras”, acredita Davi Damazio.

O que se desenha é uma mudança no padrão de viagens, com a procura por acomodações mais econômicas e voos com tarifas mais baixas. Além de uma maior procura por benefícios nas compras, como descontos para pacotes com 14 dias e até algumas redes que oferecem o exame PCR gratuito.
De acordo com Luiz Cegato, Gerente de Comunicação da Booking.com para a América Latina, “preços mais acessíveis são o principal aspecto considerado pelos brasileiros na hora de optar ou não por um destino estrangeiro”. Mas ele não é o único.

Outros fatores importantes são a mudança de cenário e a possibilidade de conhecer novas culturas, experiências e atividades específicas nesses locais.

Na ponta do lápis

Para driblar a alta da moeda estrangeira, Rogério Rocha, diretor de varejo do Travelex Confidence, empresa especialista em câmbio, recomenda: “Acompanhar as oscilações do dólar e aproveitar quando a cotação estiver mais baixa é uma boa forma de evitar comprometer demais o orçamento”, orienta.
Outra tática é ir comprando aos poucos todos os meses até a data da viagem – o que vai criar uma espécie de média no câmbio, refletindo em um resultado menos suscetível às variações.
Em termos de viagem, planejamento é a palavra de ordem. Conhecer os seus hábitos financeiros também. “O ideal é listar os gastos fixos mensais e perceber quanto fica ‘livre’ para ser poupado”, ensina Phillip Klien, CEO da ClickBus. Com uma média do quanto pode gastar, defina o destino, estabeleça uma meta e comece a economizar todo mês, efetivamente.
Duas dicas extras para quem quer economizar na viagem são: partir acompanhado costuma ser melhor para o bolso, assim como abrir mão de alguns luxos, como um hotel com vista para ponto turístico.

Preparar para a decolagem

A preparação para um retorno seguro começa, primordialmente, por um ciclo de vacinação completo contra a Covid-19. Para quem quer voltar a desembarcar em outros países, o especialista Davi Damazio preparou um checklist de recomendações:

Esteja atento às condições de cancelamento (de voos, transfers e hospedagens)

Contrate um seguro viagem, mesmo que não seja obrigatório

Monitore a situação sanitária do destino

Evite aglomerações e respeite o distanciamento

Priorize pontos turísticos e atividades a céu aberto

Faça tudo on-line

De portas abertas

A lista de destinos que já recebem brasileiros é extensa — e inclui países em quatro continentes. Entre eles, México, Espanha, Alemanha, Portugal, Costa Rica, Tailândia e África do Sul.

Fonte: Metrópoles