Peça será divulgada a partir desta sexta (18) nos canais do Youtube da Associação ArtBrasil e do Casarão de Ideias.

Adaptado da obra do escritor brasileiro Martins Pena, considerado o pai da comédia de costumes no Brasil, o espetáculo “Quem Casa, Quer Casa”, dirigido pela produtora cultural Ana Cláudia Motta, está de volta em uma apresentação virtual. A partir desta sexta (18) até o dia 23, a peça – já gravada – será exibida nos canais do Youtube da Associação ArtBrasil e do Casarão de Ideias.

Realizada de forma gratuita, a exibição faz parte do projeto “Quem Casa, Quer Casa – Da Dramaturgia à Cena: Quando as mazelas humanas ultrapassam os séculos”, contemplado no Prêmio Manaus de Conexões Culturais 2018, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).

Além do espetáculo, os espectadores poderão ter acesso a entrevistas com os responsáveis pela criação e composição da peça, como a própria Ana Cláudia, o maestro, compositor e produtor musical Paulo Marinho (trilha sonora), Rivaldo Monteiro (que assina a cenografia e a adereçagem e também faz parte do elenco), Diego Lima (responsável pela iluminação) e os atores Gomes de Lima, Carlos Eduardo, Denise Lima, Raphael Frota e Magda Loiana.

“A proposta é que eles falem sobre suas trajetórias. É mais um viés de visibilidade dos trabalhadores do mercado artístico-cultural amazonense”, detalha Ana Cláudia.

Outra novidade é a série de seis videoaulas sobre Comédia de Costumes no Brasil. A artista convidada originalmente para conduzir o curso de formação era a Diretora de Teatro e Atriz, Selma Bustamante, que faleceu em março do ano passado. Quem assume a honrosa vaga é o ator, dramaturgo e diretor teatral Jorge Bandeira, que também é Historiador e professor de Teatro na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

“Nestas videoaulas, o link entre a comédia de costumes e a realidade social brasileira será explorado, atendendo a característica de vislumbrar a obra de arte como elemento fomentador da crítica social”, pontua a diretora do espetáculo.

Responsável pela adaptação de “Quem Casa, Quer Casa”, que chegou aos palcos do Teatro Amazonas em 2017, ela explica que, na proposta original, o projeto pretendia possibilitar a circulação da peça, mas, com o advento da pandemia do novo coronavírus e o aval da Manauscult, foi adaptado para uma proposta virtual. “De forma que pudesse atingir os mesmos objetivos, mas de forma mais segura no que tange a contenção da proliferação da Covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus)”, enfatiza.

Confusão e Risos

O espetáculo conta a história de uma família: Fabiana é mãe de Olaia (que se casou com Eduardo) e Sabino (que se casou com Paulina). Por falta de condições financeiras, ambos foram morar na casa da mãe com os esposos, não demorando muito para que a convivência vire um inferno.

Paulina, nora de Fabiana, tem personalidade forte e quer mandar na casa mais do que a sogra, enquanto o genro Eduardo sonha em ser um grande tocador de rabeca/violino, passando o dia todo tocando ao invés de procurar trabalho. Já o marido de Fabiana, Nicolau, só se dedica à igreja. Assim é armada uma rede de intrigas que impulsionam a trama e fazem desta obra uma das comédias mais famosas de Martins Pena, conhecido por retratar a sociedade brasileira de sua época, com suas virtudes e vícios.

“Com certeza, ele nunca imaginou que sua análise perpassaria a fronteira do tempo e se encaixaria perfeitamente no Brasil de qualquer época”, destaca Ana Cláudia.

Fonte: EmTempo