Luan Diego Marques diz que exercícios de respiração e atenção plena são indicados, antes e durante os Jogos Olímpicos.

Diversos atletas têm falado abertamente sobre saúde mental durante as Olimpíadas de Tóquio. Esta semana, a ginasta norte-americana Simone Biles, ganhadora de quatro ouros olímpicos, pegou o mundo interno de surpresa ao desistir da competição em prol de seu bem-estar psicológico.

“Temos que proteger nossas mentes e nossos corpos e não apenas sair e fazer o que o mundo quer que façamos”, declarou Biles à imprensa.

“Não somos apenas atletas. Somos pessoas, afinal de contas, e às vezes é preciso dar um passo atrás”, continuou a ginasta, afirmando que precisará de um tempo para colocar as emoções em dia.

O skatista Nyjah Huston, também dos Estados Unidos, desabafou sobre a pressão dos Jogos Olímpicos nas redes sociais depois de ficar em sétimo lugar no torneio de skate street no último domingo (25/7). Ele era um dos favoritos ao pódio.

Em post no Instagram, Huston lamentou a derrota e disse que a pressão de ser um atleta de renome internacional “não é fácil”. Ele ainda declarou que é “muito duro” consigo mesmo quando não corresponde às expectativas.

Segundo o psiquiatra Luan Diego Marques, esse debate sobre saúde mental conduzido por esportistas tão consagrados vem em boa hora e é de suma importância, uma vez que ajuda a desestigmatizar problemas como o burnout e a depressão.

Ainda de acordo com ele, celebridades e grandes atletas que expõem suas fragilidades emocionais ajudam a combater a psicofobia, o preconceito contra as vítimas de transtornos psicológicos.

“Essa atitude humaniza a imagem dos esportistas e mostra que até mesmo campeões olímpicos precisam estabelecer limites e cuidar da saúde mental”, analisa.

O médico ressalta a importância do acompanhamento psicológico para atletas, sobretudo antes de grandes competições. “Além de treinar o corpo, os esportistas precisam treinar a mente para torneios como as Olimpíadas. Eles devem saber lidar com a alta expectativa do público e com a pressão das provas”, elucida.

Exercícios de respiração e de atenção plena são os mais indicados pelo profissional para quem busca relaxar em momentos de alto estresse. “Esses exercícios desligam parcialmente os estímulos sensoriais externos e aumentam a concentração”, explica, afirmando que todos podem realizá-los afim de aliviar as tensões do dia a dia.

“Afinal, todos nós vivenciamos situações de estresse”, diz ele, que ensina um exercício simples de respiração para testar em casa. “Em momentos de ansiedade, eu sempre oriento meus pacientes a colocaram as duas mãos sobre o peito, realizando 10 inspirações bem profundas e 10 expirações bem intensas”, orienta.

Ele ainda indica os aplicativos Calm, Meditopia e Headspace para quem deseja exercitar a atenção plena.

Fonte: Metrópoles