Cerca de 300 estudantes usando a túnica Árabe são impedidas de entrar em escolas após restrição anunciada pelo Governo.
No primeiro dia de aula na França, após o governo anunciar a proibição do uso da abaya, uma túnica comum em países do Norte da África e árabes, dezenas de jovens muçulmanas enfrentaram obstáculos para assistir às aulas. Cerca de 300 alunas compareceram às escolas vestindo a abaya, e 67 delas se recusaram a retirar a vestimenta, resultando em sua não admissão nas instituições de ensino.
O ministro da Educação, Gabriel Attal, destacou que a abaya vai de encontro às rigorosas normas de laicidade do sistema educacional francês, afirmando que, ao entrar em uma sala de aula, não se deve poder identificar a religião do aluno pelo seu vestuário. A proibição gerou debate político, com a direita apoiando a medida e a esquerda argumentando que representa uma ameaça às liberdades civis.
Em 2004, uma lei na França proibiu o uso ostensivo de símbolos religiosos nas escolas, abrangendo não apenas a abaya, mas também cruzes cristãs, kipás judaicos e véus islâmicos. Embora o Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) não considere a abaya como um símbolo religioso, o Ministério da Educação autorizou as escolas a proibir a vestimenta no ano passado, juntamente com bandanas e saias muito longas.
A medida visa manter a neutralidade religiosa nas escolas e tem dividido opiniões na sociedade francesa. Enquanto o governo afirma que a proibição busca preservar o princípio da laicidade, críticos alegam que ela pode prejudicar a integração de estudantes muçulmanos nas instituições de ensino. A decisão também foi vista como uma resposta às pressões da extrema-direita em um contexto político pré-eleitoral.








