No início dos feriados para tentar conter o avanço da Covid e desafogar os hospitais, cenas de aglomeração e desrespeito a regras de distanciamento foram flagradas.

No primeiro final de semana de “megaferiado” na cidade de São Paulo e no estado do Rio de Janeiro, foram flagradas cenas de desrespeito ao isolamento social.

O “feriado sanitário” com medidas restritivas acontece de 26 de março a 4 de abril para tentar conter o avanço da Covid e desafogar os hospitais.

Teve festa na piscina com 300 pessoas; bailes na praia, na praça, no clube e até do lado da UPA; bares insistentes com meia porta aberta; três festas vizinhas fechadas numa só operação; barreiras para o litoral suspensas de tão cheias, entre outros casos preocupantes.

Em São Paulo, houve desrespeito e aglomeração tanto na capital quanto no resto do estado, mesmo que as outras cidades tenham tomado medidas para tentar diminuir o fluxo de turistas.

Uma só operação da Polícia Civil, Guarda Civil Metropolitana (GCM) e Prefeitura de SP acabou com três festas clandestinas com 50 pessoas aglomeradas nesses locais, a maioria sem máscaras, na região da Mooca, Zona Leste de São Paulo.

A ação ocorreu na madrugada deste domingo (28) na Rua Doutor Costa Valente e foi gravada.

Festa no Éden: 60 pessoas na praia

Guardas municipais receberam denúncia de aglomeração na Praia do Éden, em Guarujá, no litoral de São Paulo, no sábado. Quando chegaram ao local, encontraram mais de 60 pessoas aglomeradas na faixa de areia sem máscaras.

Segundo as equipes, a maioria era de jovens, com aparelhos de som no volume máximo, o que, segundo o município, é proibido em qualquer praia da cidade.

Festa ao lado da UPA

Um médico denunciou em vídeo publicado na noite deste sábado (27) uma uma festa clandestina que acontecia com som alto ao lado de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) voltada para vítimas da Covid-19 em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo.

O relato do profissional identificado como o Nelson Müzel viralizou nas redes sociais.

No vídeo de cerca de três minutos, Müzel conta que a unidade tem 73 pacientes internados, entre casos graves e não graves. Ele caminha cerca de 50 metros entre a porta da UPA – localizada na Vila Carmosina – e o estacionamento, onde o som de uma festa clandestina é muito alto. Segundo o médico, o barulho impossibilita a comunicação entre as equipes e os pacientes dentro da unidade.

Rio de Janeiro

Sábado de sol, aglomeração e bailes

No sábado, na rodovia que dá acesso à Região dos Lagos (RJ), o congestionamento chegou a dez quilômetros. Motoristas esperavam mais de uma hora para passar pelas barreiras sanitárias. Havia barreiras ainda em direção à região serrana, Angra dos Reis e Paraty, no sul do estado.

Em uma praça pública, na Zona Oeste, ocorreu um baile durante a madrugada. Os organizadores cercaram o espaço com grades. Tinha comida, bebida e todo mundo sem máscara.

Em outra comunidade, também na Zona Oeste, dava para ouvir o som alto de longe. Uma multidão se reuniu em um baile no meio da rua. Na Penha, Zona Norte, mais festa em um clube. Um desrespeito aos decretos que proíbem o funcionamento de casas de show.

Domingo de decreto furado na orla

No domingo, o decreto continuou sendo ignorado por alguns banhistas flagrados na faixa de areia e no mar da Praia do Leme, Zona Sul do Rio.

A situação se repetia nas praias do Leblon, Ipanema, Arpoador e Copacabana. O decreto publicado pela administração municipal diz que apenas esportes individuais estão autorizados até o dia 4 de abril, seja na areia ou no mar.

Uma festa na piscina (pool party) com cerca de 300 pessoas na Taquara, Zona Oeste do Rio, foi descoberta e fechada neste domingo (28). Em um dos vídeos feitos pelos fiscais da Prefeitura, um dos presentes ameaça: “Não filma não por gentileza, tá? Tô te avisando”.

Piscina de Covid’ com 300 pessoas na Taquara

A festa de música eletrônica foi encerrada e o responsável também foi punido. Em plena pandemia, o evento dizia que “nada melhor que uma piscina, bebida gelada, amigos reunidos”.

Insistência dos bares no Rio

A Prefeitura do Rio diz que aplicou 864 autuações por causa das novas medidas restritivas só no sábado.

Os registros incluem multas e interdições a estabelecimentos, infrações sanitárias, multas de trânsito, reboques e apreensões de mercadorias.Entre elas, foram aplicadas 60 multas a bares, restaurantes e ambulantes e fechados 19 estabelecimentos em desacordo com as regras determinadas pelo decreto.

Bares e restaurantes do Rio podem funcionar durante a pausa emergencial, mas somente para entrega em domicílio, retirada em balcãoou drive-thru. Está proibido o atendimento presencial para consumo local.

Fonte: G1