Agravamento da estiagem fez o governo emitir alerta de emergência para pelo menos cinco estados.

A ameaça de risco de apagão de energia amplia debate sobre a MP da venda da Eletrobras que tramita no Congresso Nacional. A falta de chuva e as dúvidas sobre investimentos começam a preocupar o setor no Brasil. O agravamento da estiagem fez o governo emitir alerta de emergência hídrica para, ao menos, cinco estados. Já a MP da Eletrobras passou pela Câmara e agora está em debate no Senado. A Casa tem até 22 de junho para analisar a medida provisória. O ex-presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, teme que a venda aumente a concentração no setor.

“Uma Eletrobras privada vai criar uma grande comercializadora e vai dominar o mercado. Então, os próprios agentes que são a favor dessa mercadoria estão muito preocupados com essa MP.” Já o ex-ministro de Minas e Energia e ex-diretor da Aneel Nelson Hubner não acredita em competição. “O dono da Eletrobras, com duas, três grandes usinas, ele põe o preço que quiser. mas que raio de mercado, então, é isso? E na hora que eu vendo a Eletrobras, em vez de aumentar a competição eu estou diminuindo. Estão tirando um agente e o controlador dela deve ser um agente que já está no mercado, estou concentrando mais ainda esse mercado.” O cenário hídrico do país despertou um alerta no governo.

O secretário de Fazenda do Ministério da Economia, Bruno Funchal, afirma que apesar de alguns fatores indicarem a retomada do crescimento, como a vacinação, a economia pode esbarrar na crise hídrica. “Essa crise hídrica é um risco, a gente não pode ignorar isso. E é um risco que pode trazer repercussão na reaceleração da economia e na inflação. Bandeiras vermelhas podem impactar na inflação.” O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, expressa a mesma preocupação. Nos últimos dias, ele tem criticado a atuação do Ministério de Minas e Energia para contornar a escassez de chuvas. Para o senador, a responsabilidade pelo problema é compartilhada.

“Todos nós estamos aqui discutindo o crescimento do Brasil e reformas estruturantes e nos deparamos com quase uma suplica para que não haja crescimento porque não temos condições de fornecer energia suficiente para esse crescimento no Brasil. Me perdoe, mas isso não é responsabilidade exclusiva. Não estou fugindo da responsabilidade do Congresso, mas não é exclusivo. Isso é planejamento, previsibilidade, gestão.” O governo pretende aprovar a medida provisória da Eletrobras no Senado até a segunda semana de junho. Isso porque os senadores já indicaram que devem fazer mudanças no texto, o que faz a proposta retornar para análise da Câmara. Rodrigo Pacheco ainda não anunciou quem será o relator, mas a tendência é que o escolhido seja um aliado do governo.

Fonte: JP Noticias