Campos Neto do BC fala sobre desafios e possíveis soluções para o fim do rotativo do cartão de crédito.
Durante um seminário organizado pelo banco Santander em São Paulo, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, voltou a abordar a questão do possível fim do rotativo do cartão de crédito.
Campos Neto destacou a necessidade de encontrar uma solução que não afete a opção de parcelamento sem juros, afirmando que interromper essa opção poderia ter consequências negativas. Ele percebeu que ainda não é possível determinar qual será a solução final, mas enfatizou a importância de buscar uma abordagem organizada.
O presidente do BC também revelou que esse é um assunto polêmico e que a discussão teve início no governo anterior, referindo-se à administração do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Rotativo do Cartão de Crédito
O rotativo do cartão de crédito é uma linha de crédito pré-aprovada oferecida no cartão. Ela é usada por aqueles que não podem pagar o valor total da fatura na data de vencimento. Caso o cliente fique inadimplente, o banco deverá oferecer a opção de parcelamento do saldo devedor ou outra forma de quitação da dívida no prazo de 30 dias, em condições mais desenvolvidas.
Especialistas analisam o rotativo do cartão a modalidade de crédito mais cara e aconselham evitar seu uso. Recomenda-se que os clientes paguem o valor integral da fatura mensalmente.
Taxas de Juros e Inflação
Em junho, a taxa média de juros cobrada pelos bancos nas operações de cartão de crédito rotativo caiu para 437,3% ao ano, de acordo com dados do BC. Embora tenha tido uma redução em relação ao mês anterior, quando os juros chegaram a 455,1%, essas taxas ainda são extremamente elevadas.
No mesmo evento, Campos Neto ressaltou que a batalha contra a inflação no Brasil ainda não está vencida. Ele tem a necessidade de persistir na adoção de juros restritivos para lidar com a inflação.
A inflação no país foi de 0,12% no mês anterior, retornando ao aumento após uma queda de 0,08% em junho. O acumulado de 12 meses até julho foi de 3,99%, e a inflação acumulada no ano chegou a 2,99%.
Seguindo as diretrizes do Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para o ano é de 3,25%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que a meta será cumprida se a inflação se situar entre 1,75% e 4,75%.








