Escassez de produtos e prioridade no fornecimento de semicondutores gerou uma crise sem precedentes no setor de produção de veículos.

Sem dar aviso do impacto que iria causar, a pandemia da Covid-19 fez com que as fábricas brasileiras de automóveis parassem completamente. Para se ter uma ideia, no dia 1º de abril de 2020, nenhum carro foi produzido no Brasil. A paralisação das atividades gerou um impacto sentido até os dias de hoje.

Depois de uma interrupção total de dois meses, as máquinas foram religadas e com elas a necessidade de peças e matérias-primas para retomada das produções. O problema é que a pandemia atrapalhou não só a fabricação dos automóveis, mas também todo o fluxo de suprimentos, que é rigidamente cronometrado e metódico.

Escassez de semicondutores

Tal cenário fez com que as montadoras sofressem com a falta momentânea de aço e borracha. Porém, o buraco era era mais fundo, principalmente quando a escassez de matéria-prima chegou ao mercado dos semicondutores. Os chips estão presentes em computadores, TVs, no sensor de pressão dos pneus, notebooks, e em diversos outros tipos de eletrodomésticos.

A falta repentina se deu principalmente por causa da demanda extra do mercado que, como solução lógica, colocou as montadoras de carros no final da fila de prioridade de fornecimento. É importante destacar que trocar um chip por outro não é tarefa fácil.

Além disso, a indústria de semicondutores é uma das mais centralizadas do mundo, com suas produções acontecendo majoritariamente em Taiwan. Com a província chinesa fechada para lockdown, bem como todos os demais países asiáticos fabricantes de chips, a oferta diminuiu e a demanda aumentou em disparada.

Alívio

Após os meses críticos de março e abril, novos fornecedores da cadeia de suprimentos de automóveis foram surgindo, o que de certa foram proporcionou um certo “alívio” para o setor.

Para evitar que uma possível escassez drástica aconteça novamente, montadoras dos Estados Unidos estão investindo em fábricas locais de chips, com o objetivo de reduzir a dependência asiática.

De acordo com especialistas, dominar a tecnologia de semicondutores é essencial para colocar qualquer país nas tendências do futuro. Porém, isso leva tempo. Um lote de semicondutores gasta em média seis meses para ficar pronto.

Até lá, a previsão é de que o engarrafamento na cadeia de fornecimento de veículos diminua gradativamente (final de 2022) e os carros voltem a ser ofertados com preços menos salgados.

Fonte: R7