Pesquisadores americanos revelam que substâncias podem trazer conforto psicológico, mas melhoras físicas são raras.

Em tempos de pandemia, todo o processo de criação e estudo clínico de medicamentos ficou mais próximo da população. Entre vários termos científicos popularizados, o placebo é um dos mais conhecidos e o uso em pesquisa levantou um novo debate sobre a eficácia da substância.

Feito geralmente com uma mistura de água, açúcar e amido, o comprimido é usado para criar uma ilusão no paciente: sem saber se recebeu o remédio ou não, algumas pessoas podem perceber melhora em sintomas como dor ou náusea, mas a ciência considera que a mudança é psicológica.

Cientistas da Universidade de Sydney publicaram um artigo no Medical Journal of Australia no último domingo (19/9) onde argumentam que o placebo é ineficaz para tratamento ou cura de doenças. O principal autor do estudo e pesquisador em fisioterapia Chris Maher afirmou ao site ScienceAlert que os efeitos do placebo não devem ser superestimados.

“Muito do discurso atual sobre o placebo parece se concentrar mais em consagrar os placebos como misteriosos e eficazes e menos em fazer uma diferença prática no atendimento ao paciente e nos resultados”, comentou.

Ele diz ainda que qualquer sugestão sobre o uso de placebo no tratamento clínico é “infundada” e “baseada em evidências falhas” — em 2018, um artigo publicado na revista científica BMJ defendia o uso das pílulas de farinha para tratar pacientes doentes.

O placebo não é novidade: usado desde o século 18, desde sua criação é visto como uma substância de eficácia mais psicológica do que física. “Uma revisão de pesquisas considerou 234 estudos sobre placebos e concluiu que, em geral, eles não produzem grandes benefícios à saúde, exceto por alguns efeitos pequenos e inconsistentes em resultados auto relatados”, explicou Maher.
Segundo o pesquisador, apesar da relevância de estudos com as substâncias consideradas placebo (onde os cientistas podem analisar e comparar a segurança e eficácia do medicamento sendo avaliado), é inviável prescrever esse tipo de terapia em consultas médicas corriqueiras. “Quando administrado de forma cega, o placebo fornecerá um pequeno efeito, mas o tratamento real terá melhores resultados para o paciente. É melhor descartar os placebos e, em vez disso, administrar medicamentos que funcionam baseados em evidências”, finalizou.

Fonte: Metrópoles