Distanciamento social, uso de máscaras e álcool em gel, além de lavagem correta das mãos devem ser indispensáveis para quem quer passar o Natal e o Ano Novo com segurança.

Às vésperas das festas de fim de ano, o pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Felipe Noveca, alerta para os cuidados que devem ser tomados pela população durante as confraternizações, a fim de evitar um aumento no número dcontaminações pela Covid-19 no Amazonas.

Até o domingo (20), tinham sido foram registrados quase 192 mil casos da doença e mais de 5 mil mortes em todo o estado.

Segundo Naveca, orientações emitidas pela Fiocruz, em parceria com a Fundação de Vigilância e Saúde do Amazonas (FVS-AM) e o Laboratório Central do Estado (Lacen), como o distanciamento social, o uso de máscaras e álcool em gel, além da lavagem correta das mãos com água e sabão devem ser indispensáveis para quem quer passar o Natal e a entrada de ano com segurança.

“Não estamos vivendo um momento de paz. Pelo contrário. Se a gente for pensar no Brasil como um todo, estamos vendo um aumento de casos em diversas regiões do país. Por isso precisamos alertar para que as pessoas mantenham as medidas de distanciamento, precisamos manter a utilização de máscaras e lavagem constante das mãos, porque a gente ainda não venceu essa guerra”, explicou o pesquisador.

Além disso, Naveca vê com preocupação o aumento no número de aglomerações, principalmente entre os jovens. Para ele, é importante evitar ao máximo se expor à doença, afinal, ninguém sabe como ela deve se manifestar nas pessoas.

“A gente acompanha alguns casos de pessoas que não tem nenhuma comorbidade ou até mesmo de jovens que desenvolvem uma forma agressiva da Covid-19. Então, é uma doença que a gente não tem todas as respostas. Não pega só no idoso. Os jovens também podem pegar e nem sempre o desfecho é favorável. Não tem como saber, antecipadamente, quem vai ter um quadro grave ou se a pessoa pode levar para dentro de casa a doença e alguém pode agravar”.

O pesquisador também faz um alerta para que os órgãos de Segurança Pública ajudem no cumprimento dos decretos emitidos pelo governo do Estado, que visam evitar a proliferação da doença.

“O importante não é só fazer o decreto em si, mas é necessária a fiscalização acima de tudo. Apelo para os órgãos de segurança pública para que possamos passar pelo fim de ano com uma situação melhor”, pediu.

Ao G1, o pesquisador também já havia alertado sobre possíveis casos de reinfecção pelo novo coronavírus. Segundo ele, um “repeteco” da doença pode ser ainda mais grave que a primeira infecção, o que reforça o pedido de cautela.

“No mundo, há relatos de pessoas que na segunda infecção tiveram formas mais graves. Ou seja, não quer dizer que você está protegido ou que você não vai ter uma forma mais agressiva na segunda vez. É um vírus que conhecemos há menos de um ano. Tem muitas lacunas. Se para outros vírus que conhecemos há décadas não temos todas as respostas, imagine para esse”, alertou.

Para evitar o problema, Naveca apela para o bom senso da população. De acordo com o pesquisador, é necessário ter um pouco mais de paciência para que todos possam ter um 2021 com mais saúde.

“A gente tem uma luta de quase um ano e na qual tivemos muitas baixas. Queria pedir a população que mantenha as medidas de controle, de distanciamento, a utilização de máscaras, a lavagem cuidadosa das mãos com água e sabão, ou a utilização do álcool em gel. Tivemos um período de diminuição de casos, mas depois um aumento durante período das eleições. Então, é um apelo que nós fazemos: vamos ter paciência, esperar mais um pouquinho. A guerra não está vencida, não vamos dar chances para o nosso inimigo”, declarou.

Secretaria de Saúde emite orientações sobre festas

A Secretaria de Saúde do Amazonas (SES-AM) também emitiu orientações sobre as festas de fim de ano. De acordo com o órgão, compras online devem ser priorizadas. No entanto, caso seja haja a necessidade de se realizar presencialmente, as pessoas devem optar por horários alternativos e escolher centros de compras com o menor fluxo.

“Se as pessoas vão ao comércio, tentem encontrar um horário de menor fluxo de pessoas e sempre observando as orientações de, em um ambiente de aglomeração, ter o uso da máscara protegendo sempre nariz e boca, mantendo o distanciamento de 1,5 metro entre as pessoas e a higiene das mãos frequente. Se não puder ser com água e sabão, que seja com álcool em gel”, afirmou o infectologista Antônio Magela, da Fundação de Medicina Tropical.

Sobre as confraternizações, a secretária orienta que a população evite reuniões em ambientes como bares e restaurantes e restrinjam os encontros a, no máximo, dez pessoas. Já para as noites do dia 24 e 31, as autoridades sanitárias recomendam, ainda, que as comemorações ocorram entre pessoas que morem na mesma casa, evitando festas com grande número de convidados.

“O que nós voltamos a recomendar são as mesmas orientações para que as pessoas possam festejar o Natal ou o Ano Novo, mas sempre pensando na sua segurança e na segurança de seus familiares”, disse Magela.

Fonte: G 1 Am