WhatsApp, Instagram e Facebook ficaram horas fora do ar nesta segunda-feira; psiquiatra expõe sobre os transtornos mentais e sociais que o uso excessivo dos aparelhos eletrônicos pode causar.

“Meu Deus, o que está acontecendo? Isso é um apocalipse?!”; “WhatsApp, Instagram já podem voltar! Eu já percebi que não vivo sem vocês”; “Nem 4 horas que o WhatsApp caiu e vocês já estão loucos!”. Essas foram algumas das milhares de publicações no Twitter, rede social que não ficou fora do ar nesta segunda-feira, 4, quando uma pane global afetou o funcionamento do WhatsApp, do Instagram e do Facebook durante horas. O aplicativo de mensagens instantâneas foi o primeiro a cair, seguido pelo Instagram e pelo Facebook, todos pertencentes ao mesmo conglomerado comandado pelo empresário norte-americano Mark Zuckerberg. Sem saída, os usuários de smartphone optaram por alternativas como o TikTok e o Telegram para conversar e se entreter, mas não esperavam que eles também apresentariam instabilidade devido ao excesso de pessoas conectadas ao mesmo tempo. Ainda que a falha dos aplicativos tenha sido em várias partes do mundo, o desespero dos brasileiros mostrou o quanto estamos dependentes do smartphone.

Segundo uma pesquisa divulgada pela empresa de consultoria Kantar em setembro, o brasileiro passa, em média, cerca de 4,2 horas por dia usando o celular. Já a empresa Newzoo afirma que o Brasil é o 5º país que mais utiliza telefone móvel no mundo, com cerca de 109 milhões de usuários atualmente, atrás apenas de Indonésia, Estados Unidos, Índia e China. O psiquiatra Yuri Busin afirma acreditar que as pessoas estão gerando um vício do uso do celular por causa do medo de não perder qualquer informação. “Os dados mostram que os brasileiros estão muito dependentes do celular. Isso pode ter a ver com o que chamamos de ‘Fear Of Missing Out’ (FOMO), que é a sensação de que a pessoa está perdendo alguma informação. Então, ela fica checando as redes sociais de tempos em tempos, sem perceber, por medo de perder coisas importantes.”

De acordo com dados da Digital Turbine, cerca de 20% dos brasileiros não conseguem ficar longe do celular por mais de 30 minutos. Busin afirma que os aplicativos das redes sociais instalados no celular serviriam como uma droga. “As redes sociais ainda podem ser consideradas algo novo na nossa vida. Por mais que estejam muito inseridas no dia a dia, elas estão presentes há cerca de 10 anos. É pouco tempo e ao mesmo tempo é bacana. Ainda estamos aprendendo a utilizá-las. Devemos aprender a usar ao nosso favor e não para sermos controlados por elas”, afirma.

O psiquiatra ainda alerta sobre os transtornos mentais e sociais que o uso excessivo dos aparelhos eletrônicos pode causar nos usuários. “Isso pode desencadear alguns transtornos como a nomofobia, que é uma fobia de literalmente não conseguir ficar longe do celular, é algo muito mais intenso. Sem falar que essa pessoa pode ter problemas sociais, como a dificuldade de se relacionar com alguém, de tolerar uma frustração, dormir muito mal, dores físicas devido à posição que fica para usar o celular. Redes sociais como o Instagram e o Facebook fazem a pessoa comparar a vida dela com a de outras pessoas. Por exemplo: ‘Fulano e ciclano vivem uma vida que eu não posso ter, tem um corpo que eu não tenho.’ Isso acaba trazendo um sentimento de comparação negativo de “eu sou ruim e ele é bom”, pontua.

Compras pelo celular seguem em alta

Mesmo com a reabertura total das lojas após um longo período de restrição devido à pandemia da Covid-19, os consumidores ainda preferem fazer compras pelo celular. Dados divulgados em setembro pela Digital Turbine afirmam que 92% das pessoas entrevistadas compram pelo smartphone e que 68% preferem utilizar o celular a outros meios com internet para realizar a compra. Segundo Paula Sauer, professora de economia comportamental da ESPM, a facilidade e a comodidade são os principais fatores que explicam a preferência pelo aparelho na hora de adquirir produtos. “Os motivos variam, desde o preço diferenciado para compras feitas pela internet, comodidade, disponibilidade do produto ou serviço em determinada região e, para muitas pessoas, também tem o medo de ser infectado pela Covid-19. Um outro olhar possível está relacionado as compras por impulso. É mais rápido, está ali, sem necessidade de locomoção, é fazer alguns cliques e a compra está feita. Não se percebe o dinheiro saindo da conta, a dor da perda é menor.”

Sauer ainda ressalta que muitos consumidores usaram o celular para fazer compras pela primeira vez na pandemia. Como os acessos aos aplicativos aumentaram muito, as empresas tiveram de reformular suas plataformas digitais para que ficassem mais didáticas e atrativas. “Por falta de alternativa, as pessoas foram exaustivamente estimuladas a aderir ao meio digital e mudar seu canal de compras. Para muitos consumidores, a necessidade do isolamento foi o empurrãozinho que faltava para a utilização dos canais alternativos, que para muitos se tornou o principal canal de vendas. Os aplicativos tiveram de ser revistos, as interfaces se tornaram mais amigáveis, os menus mais explicativos para receber o consumidor que estava rompendo pela primeira vez a barreira com o digital. O ‘bater perna’ agora é pela internet, e para muitas pessoas que tiveram boas experiências e se sentiram seguras, o digital se tornou o canal principal para a compra de uma infinidade de produtos”, conclui a economista.

Fonte: JP Notícias