Variante Ômicron, epidemia de influenza e infectados com sintomas leves podem mascarar verdadeira situação da Covid no Brasil.

Desde o início da pandemia, epidemiologistas e infectologistas batem na tecla da importância da testagem de massa para conter o avanço do coronavírus no Brasil. Apesar de o país ter passado por ondas com milhares de óbitos por Covid-19 diários, os exames nunca foram feitos em quantidade suficiente.

Com o avanço da vacinação, o Brasil vive um cenário bem diferente do começo de 2021: há poucos casos diagnosticados e média móvel de óbitos segue há dias abaixo de 200. A Covid-19 parece controlada no país. Porém, ainda não é o momento de relaxar, e é preciso apostar em um sistema de testagem inteligente para evitar que o vírus volte a circular sem controle.

“O ideal é continuar monitorando. As vacinas não conferem imunidade completa, e precisamos saber quantos casos de fato estão acontecendo na comunidade. Outro motivo são as variantes: é importante fazer os testes para detectar mudanças de cepa ou alguma evolução na epidemia”, explica a epidemiologista Lígia Kerr, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). “O vírus nos prega peças toda hora, precisamos acompanhar de perto“, afirma.

Na África do Sul, onde foi identificada a variante Ômicron, por exemplo, a alta de casos foi um dos alertas que algo diferente estava acontecendo com a epidemia no país. O sequenciamento genético confirmou a suspeita.

Considerando que boa parte da população já fechou o ciclo vacinal, fica mais complicando acompanhar como a pandemia vai evoluir. A maioria dos casos é leve ou sem sintomas e, cada vez menos, as pessoas procuram o serviço de saúde para atendimento ou teste. Sem saber o número real de infectados, o governo não consegue definir estratégias que controlem o avanço do coronavírus.

“Não precisamos fazer uma mega campanha de testagem de massa, não temos nem braço para isso e precisamos ser pragmáticos sobre onde vamos colocar recurso. É importante testar nos contatos dos casos, algo que nunca fizemos com o cuidado necessário. Assim, a gente conseguiria quebrar a cadeia de transmissão ali”, ensina o professor do departamento de saúde coletiva da Universidade de Brasília (UnB) Mauro Niskier Sanchez.

Lígia lembra que é importante investir em testes que tenham resultados rápidos, que informem se o paciente está infectado em 15 ou 20 minutos. Se é preciso esperar 24h, o indivíduo pode continuar circulando e acabar contaminando outras pessoas. “Se identificarmos os casos positivos, o paciente pode fazer o auto isolamento, usar a máscara se não estivesse utilizando. A chance dessa epidemia desaparecer em curto prazo é muito pequena”, aponta a epidemiologista.

Nova variante e influenza

Mesmo o Brasil estando em uma situação com indicadores da pandemia muito melhores, a variante Ômicron pode bagunçar todo o cenário. Se as informações preliminares sobre a alta transmissibilidade da cepa se confirmarem, o país pode passar por mais uma onda de Covid-19, mesmo que menos mortes sejam registradas.

O que preocupa os especialistas é que, se forem muitos casos, ainda que a maioria seja assintomática ou de sintomas leves, o Sistema Único de Saúde (SUS) pode acabar pressionado e ter dificuldade para atender os pacientes que desenvolverem quadros graves.
A testagem de Covid-19 também é importante para diferenciar a doença de outras condições que têm sintomas iniciais semelhantes à infecção. A dengue, por exemplo, tem os primeiros sinais muito parecidos com a doença causada pelo coronavírus: dor no corpo, fadiga e febre.

A influenza, responsável pela epidemia no Rio de Janeiro, também é confundida com a Covid-19 com muita facilidade. O professor Mauro lembra que cada nova variante vem com um conjunto diferente de sintomas que dificultam o diagnóstico clínico sem exame.
Quais são os sintomas mais comuns da variante Ômicron até o momento?

Saber exatamente o que o paciente tem é importante não só para definir o curso de tratamento ideal, mas para ajudar as autoridades sanitárias a criar estratégias que correspondam ao cenário epidemiológico.

 

Fontes: Metrópoles