Proprietária de uma agência de viagens relata a procura dos consumidores por destinos internacionais; no entanto, com atraso na vacinação, o Brasil ainda sofre restrições.

A expectativa do setor de turismo no Brasil é de crescimento no segundo semestre de 2021 e de uma retomada ainda mais intensa para o início de 2022. O otimismo se deve a vacinação em massa da população. A agência de viagens de Fernanda Demetrio conseguiu sobreviver à pior fase da pandemia e, atualmente, as viagens nacionais estão em alta. “As pessoas queriam viajar, estavam com ansiedade e o nacional foi o mais procurado. Nordeste, Maragogi, Porto de galinhas foi super procurado, muito mesmo”, relata. Fernanda conta ainda que mesmo diante dos rigorosos protocolos sanitários da Covid-19, muitos países ainda receberam turistas em meio à pandemia, mas foram poucos.  “Egito, Dubai recebeu muito brasileiro, virou um destino queridinho dos brasileiros por estar aberto desde julho do ano passado. Mas ainda havia um receio, o pessoal ia mais para o Nordeste. O pessoal está muito ansioso para ir para os Estados Unidos, toda semana recebo “Fê, a gente já pode ir sem a quarentena no México?”, relata.

No começo de julho, a França decidiu abrir as portas para os viajantes imunizados de quase todos os países do mundo. No entanto, o Brasil é um dos 15 países com restrições. O motivo é que a liberação só vale para vacinas aprovadas pela Agência Europeia, como Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen. A Espanha foi outro país que começou a receber turistas vacinados. O governo liberou somente vacinas aprovadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que inclui a CoronaVac, por exemplo. Mesmo assim, os brasileiros ficam de fora. Para as organizações de saúde de outros países, o país é considerado de risco epidemiológico pela grande concentração de variantes do coronavírus e pelo atrasado na vacinação. Ainda segundo especialistas, para se tornar seguro aos olhos do mundo, o Brasil precisa reduzir a taxa de infecção por 100 mil habitantes. A média nacional é de quase 420, enquanto o número americano e europeu fica em 75. O Brasil é o 12º país com a pior taxa do mundo, segundo a OMS.

De acordo com a entidade, o país precisa reduzir em 82% a taxa de infecção, rever a campanha de vacinação e criar alternativas para conter o avanço das variantes do vírus, principalmente a P.1, de Manaus, batizada de “Gamma”. Para a infectologista Sylvia Lemos, o governo brasileiro deve rever o Programa de Imunização Nacional (PNI), além de criar mecanismos de segurança no controle das cepas. “O que podemos dizer é que ainda não sabemos como as coisas vão ficar, porque infelizmente existem cepas, mutações, que fazem com que um país que abre as suas medidas restritivas possa voltar a ter medidas restritivas. Além do mais, existe toda uma discussão em cima das vacinações, dos tipos de vacinas e plataformas, que não há uma uniformidade”, explica. A existência de uma campanha de vacinação em massa é um dos critérios da União Europeia, Estados Unidos e Reino Unido para receber visitantes de outros países.

Fonte: JP Noticias