Trabalho publicado na revista Nature medicine concluiu que medicamentos à base de semaglutida reduziram o risco de ideações suicidas
As descobertas são particularmente significativas porque, recentemente, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) lançou uma investigação sobre os potenciais riscos do Ozempic e do Wegovy.
Para avaliar a associação entre a semaglutida e o risco de ideações suicidas, a equipe analisou registros eletrônicos de saúde de quase 101 milhões de pacientes em todo o país. Eles então aplicaram critérios de inclusão específicos para selecionar cerca de 2 milhões de pacientes.
Neste estudo, foram analisadas duas populações distintas de pacientes: aqueles com diabetes tipo 2 receberam Ozempic, enquanto os pacientes com obesidade receberam Wegovy. Ambos têm o mesmo princípio ativo, a semaglutida, um receptor químico do peptídeo semelhante ao glucagon (GLP1R) que ajuda a regular o açúcar no sangue no diabetes tipo 2 e reduz o apetite, mas em doses diferentes.
Os pacientes foram acompanhados durante seis meses para avaliar a ocorrência de ideação suicida, bem como quaisquer pensamentos suicidas recorrentes, conforme registrado em seus prontuários de saúde. Os resultados mostraram que em todos os grupos de pacientes – homem, mulher, negros, brancos, hispânicos, adultos com menos de 45 anos, adultos de meia idade (46–64) e idosos com 65 anos ou mais – foram encontradas reduções no risco de ideação suicida de forma consistente.
“Foi semelhante à forma como reunimos evidências em tempo real de infecções e resultados da COVID-19 durante a pandemia da COVID-19”, disse Rong Xu, professor de informática biomédica e líder do estudo, em comunicado.
Nathan Berger, professor de Medicina Experimental e coautor do estudo, disse que é necessário um ensaio clínico para compreender completamente os efeitos colaterais da semaglutida. Entretanto, o grupo conseguiu analisar dados nacionais para ajudar os pacientes a tomar decisões informadas sobre os riscos do uso de semaglutida.
“A popularidade explosiva deste medicamento torna imperativo compreender todas as suas complicações potenciais. É importante saber que sugestões anteriores de que a droga poderia desencadear pensamentos suicidas não são confirmadas nesta população muito grande e diversificada dos EUA”, concluiu Pamela B. Davis, diretora do Instituto Nacional para o Abuso de Drogas e coautora.






