O vocabulário do vinho é complexo. Taninos, adstringência, acidez, aromas frutados ou herbáceos, sabores cítricos ou terrosos e uma infinidade de outros termos que, às vezes, confundem o apreciador.

Mas tem um aspecto que é de fácil entendimento: o equilíbrio de um vinho que, na verdade, é determinante para agradar o paladar. Elegante, harmônico, agradável e redondo também são termos que se referem a este mesmo aspecto.

Resumidamente, um vinho está equilibrado quando suas características não se sobrepõem umas às outras, ou seja, tudo está em harmonia. O vinho é o resultado da integração de diversos elementos químicos e quando não há domínio de um sobre o outro tem-se o almejado equilíbrio.

Se o vinho estiver desequilibrado fatalmente o álcool, o açúcar, os taninos ou a acidez irá se destacar demais e ocultar as outras características, mesmo que você não consiga identificar facilmente o que está fora do lugar.

Todos os estilos de vinho são apreciados pelo equilíbrio, dos espumantes aos fortificados. Por exemplo, um bom espumante precisa da acidez equilibrada, que irá garantir o frescor, típico destes tipos de vinhos (lembre-se que a gente percebe a acidez pelo aumento da salivação). O mesmo ocorre com os vinhos brancos ou rosés.

Os tintos, nos quais os taninos (a substância que, quando desajustada, amarra a boca) são fundamentais, sejam leves ou encorpados, também encontram a harmonia quando você sente aquela adstringência gostosa, saborosa e que não machuca as papilas.

O álcool também é um componente que precisa dialogar perfeitamente com os demais, pois, caso apareça em excesso, deixará a boca quente ou ainda com uma sensação adocicada. Já os melhores fortificados são os que equilibram a doçura com a acidez, tornando a degustação ainda mais prazerosa.

Para colocar o conhecimento em prática, experimente nossas indicações de vinhos portugueses extremamente equilibrados, elaborados pelo enólogo João Portugal Ramos.

Espumante Marquês de Borba Brut Rosé

A estreia do enólogo João Portugal Ramos na elaboração de espumantes foi em grande estilo, provando que o Alentejo pode produzir excelentes vinhos também deste tipo. Elegante, fresco e longo, este rosé brut é uma combinação das uvas Pinot Noir, Touriga Nacional e Aragonez e amadurece durante 24 meses em contato com leveduras, em um processo chamado autólise, que confere ainda mais complexidade.

Marquês de Borba Colheita branco

A prova de que a acidez equilibrada é sinônimo de refrescância nos vinhos. Esse branco é elaborado com as castas Antão Vaz, Arinto e Viognier, também na região do Alentejo. A combinação resulta em um branco marcado pelos aromas de frutas cítricas com notas minerais e de ótima estrutura, que o tornam ideal para consumo sem acompanhamento ou com aperitivos.

Duorum Colheita DOC Douro

Elaborado com três clássicas uvas portuguesas, Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, este tinto do Douro é a tradução do equilíbrio. Na degustação, os elementos se complementam, também pelo amadurecimento de 12 meses em barrica de carvalho francês.

Duorum Porto Vintage DOC Douro

O ano de 2011 foi um espetáculo para o Douro, um dos melhores das últimas décadas para a produção de vinhos na região. Esse fortificado é exemplo dessa excelência: apresenta elegante aroma de frutos pretos maduros, como amora, ameixa e cassis, e notas balsâmicas. Em boca é doce, muito encorpado e com grande estrutura, apresenta acidez bem equilibrada, taninos firmes e maduros. A safra 2011, disponível no Brasil, ganhou 94 pontos no Robert Parker.

Fonte: G1