O número de atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito em unidades de saúde de Manaus caiu 32,7% nos primeiros oito meses deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar da redução, o número de mortes aumentou

Conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), os três maiores prontos-socorros do Amazonas – João Lúcio, 28 de Agosto e Platão Araújo – atenderam 6.962 vítimas de acidentes de trânsito, entre janeiro e agosto deste ano. Em 2019, o número chegou a 10.349.

A SES afirma que a queda teve influência das medidas de isolamento social adotadas durante o pico da pandemia de Covid-19, entre os meses de abril e maio. Até segunda-feira (5), a doença já havia infectado mais de 142 mil pessoas no estado

Na contramão da redução, o número de mortes no trânsito em Manaus aumentou, mesmo com a pandemia. Conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), de janeiro a agosto, ocorreram 135 mortes no trânsito neste ano, e 134 no ano passado.

Os óbitos aumentaram após a reabertura total de atividades comerciais no estado, que estavam suspensas desde março por conta da pandemia. Entre julho e agosto, o aumento foi de 23,3%, em comparação com o ano passado.

Conforme o gerente da Controladoria Regional de Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), Wendel Menezes, o órgão teve uma redução considerável de 16%, em relação ao número de acidentes de trânsito, porém, perceberam que, mesmo com essa redução, houve um número elevado de motociclistas que se envolveram em acidentes, aumentando assim, o número de óbitos.

“O excesso de velocidade é a causa principal de mortes no trânsito. O segundo é o desrespeito a sinalização, e o terceiro é a junção de álcool e direção, uma vez que o condutor alcoolizado perde completamente o senso de responsabilidade dele no trânsito”, disse.

Internações em Manaus

Com os mais de 6,9 mil atendimentos médicos a vítimas de acidentes de trânsito na capital, o governo informou que teve gasto de R$ R$ 1,6 milhão, com internações, cirurgias e outros procedimentos. No ano passado, o valor gasto com os mais de 10 mil atendimentos foi de R$ 2,3 milhões.

Segundo a Secretaria de Saúde, os acidentes respondem por boa parte das internações hospitalares e pela maioria dos atendimentos de urgência e emergência das unidades.

O último relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) coloca o Brasil na quinta posição do ranking de países com mais mortes no trânsito, ficando atrás da Índia, China, EUA e Rússia, e seguido por Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito. Juntas, essas dez nações são responsáveis por 62% das mortes por acidente no trânsito.

Para o secretário executivo Adjunto de Atenção à Urgência e Emergência, Moab Amorim, esse cenário é refletido no Estado, causando custos nos serviços de alta complexidade.

Ele também ressaltou que o país possui um alto índice de violência no trânsito e que, no interior do Amazonas, também não é diferente, o que sobrecarrega serviços como ortopedia, traumatologia e neurocirurgia.

Fonte : G1 Amazonas