Desigualdade salarial cresceu nas últimas décadas. Diferença persiste ao se analisar a escolaridade dos servidores públicos

A diferença de gênero cresce ano após ano no funcionalismo público. As mulheres são maioria entre os servidores municipais, estaduais e federais, mas ganham 24% menos que os homens.

Os números foram apresentados em estudo que acaba de ser publicado pelo

Instituto de Pesquisa econômica (IPEA), que analisou três décadas de evolução do funcionalismo público brasileiro.

No setor público, a participação das mulheres é superior se comparada à no setor privado, mas a diferença de gênero persiste ao se analisar a média salarial no funcionalismo.

Em 1986, início da série histórica levantada pelo Ipea, o percentual de vínculos no setor público era o mesmo entre os sexos. A participação feminina, no entanto, se expandiu e chegou a 59% em 2017.

Por outro lado, “nos três níveis federativos, nos três poderes e em, praticamente, todos os anos da série, os homens têm remuneração média superior à das mulheres, entre servidores civis”.

A diferença quase sempre aumentou nas últimas décadas. Em 1986, a média salarial das mulheres no setor público era 17% inferior ao dos homens. Em 2017, passou para 24,2%.

“A despeito do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, os problemas de segregação ocupacional e discriminação salarial continuam a ocorrer”, ressalta o pesquisador Felix Lopez.

A superioridade masculina nas remunerações médias se mantém, segundo o estudo, mesmo quando os níveis de escolaridade entre sexos são equivalentes.

Dessa maneira, elas receberam menos em toda a série histórica ao se recortar os servidores que têm ensino: 1) fundamental incompleto; 2) fundamental; 3) médio ou; 4) superior.

Para Lopes, os dados fazem emergir um padrão estrutural de desigualdade apesar de o ingresso na administração pública ocorrer majoritariamente por seleções meritocráticas e impessoais.

“A única situação em que a remuneração mensal média de mulheres é superior à dos homens é entre militares federais, no Executivo”, complementa o pesquisador do Ipea.

Isso acontece porque apenas homens podem ser soldados – que são maioria nas Forças Armadas e têm salário abaixo da média.

Por sua vez, mulheres podem ingressar voluntariamente no Exército, por exemplo, como militar de carreira ou temporário. Elas desempenham cargos nas mesmas condições dos oficiais do sexo masculino.

Fonte :metrópoles