Manaus | 4 de junho de 2026 | 14:22:21

Moro diz que ‘não simpatiza’ com taxação de grandes fortunas

Em entrevista à rádio, ex-ministro afirmou que aumento de impostos é mal recebido pela população brasileira.

BRASÍLIA — Pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos, o ex-ministro Sergio Moro indicou nesta segunda-feira ser contra a taxação de grandes fortunas. Embora esteja previsto na Constituição, o tributo nunca foi regulamentado e instituído no Brasil.

— Não sou muito simpático a esse imposto sobre grandes fortunas. O que acontece normalmente no país que adota isso é o milionário mudar de um país para o outro, porque ele tem os mecanismos para fugir dessa tributação — disse Moro, em entrevista à Rádio Difusora de Mossoró (RN).
Segundo o ex-ministro, falar em aumentar impostos, de uma maneira geral, é algo que costuma ser mal recebido pela população brasileira:
— As pessoas ficam revoltadas até em ouvir na possibilidade de elevação do tributo. Porque ela pensa ‘ah, vai ser só para grandes fortunas? Não. Vai acabar sobrando para mim’. É um tema complicado.

O ex-ministro afirmou, ainda, que sua intenção é “reduzir o custo da máquina pública através de reformas que cortem privilégios e desperdícios”.
Conforme mostrou o GGLOBO, no final de janeiro, economistas ligados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), João Doria (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) defendem a criação de um tributo sobre lucros, mas divergem sobre taxar estoque de patrimônio .
Na ocasião, Affonso Celso Pastore, que assessora Moro, afirmou que não responderia aos questionamentos porque as propostas do pré-candidato ainda estavam em formulação.

Em agosto do ano passado, Bolsonaro se posicionou contra taxar grandes fortunas .
— Alguém conhece algum empresário socialista? Algum empreendedor comunista? Alguns querem que eu taxe grandes fortunas no Brasil. É um crime agora ser rico no Brasil? A França há poucas décadas fez isso, e o capital foi para a Rússia – afirmou o presidente.

O imposto sobre grandes fortunas deixou de ser adotado na maior parte dos países desenvolvidos, mas tem sido instituído na América Latina como forma de aumentar a arrecadação em meio à pandemia. No Brasil, há pelo menos 13 projetos de lei sobre o tema no Congresso.

Impostos desse tipo chegaram a ser adotados por 12 países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A maioria, porém, abandonou a taxação, segundo levantamento do Insper feito em 2020.
Apenas três dos 38 países que fazem parte da entidade têm algum tipo de imposto sobre fortunas hoje: Espanha, Noruega e Suíça.
Na América do Sul, Argentina, Bolívia e Uruguai adotam o tributo, mas só o último o faz de maneira permanente. Argentina e Bolívia instituíram a taxa transitoriamente em meio à pandemia.

Fonte: O Globo

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