Milhares de trabalhadores da Ford protestaram nesta terça-feira (12) contra o fechamento de todas as suas fábricas de automóveis no Brasil, anunciado ontem de maneira inesperada pela companhia americana.

Desde o início da manhã, cerca de 3.000 trabalhadores, com máscara de proteção contra o coronavírus, se reuniram em frente à fábrica de Camaçari, no estado da Bahia (nordeste), e cerca de 500 em frente a de Taubaté (interior de São Paulo) – as duas que fecharão imediatamente, constataram fotógrafos da AFP.

Uma terceira fábrica no Ceará (nordeste) continuará funcionando até o último trimestre do ano.

A Ford, instalada há um século no Brasil, manterá apenas um centro de testes em Tatuí (interior de São Paulo), assim como sua sede regional na capital econômica da América Latina.

O mercado brasileiro passará a ser abastecido com produções da Argentina, Uruguai e outras origens.

O anúncio, no marco de uma reestruturação do grupo de Detroit (Estados Unidos) na América do Sul, pegou os trabalhadores de surpresa e caiu como uma bomba no país, que tem níveis recorde de desemprego, ao qual se somarão agora quase 5.000 trabalhadores dessas fábricas.

“Foi uma notícia chocante, a pior possível”, explicou à AFP Felipe Monteiro, técnico eletrônico de 34 anos que trabalha há 16 na fábrica de Taubaté entre 850 funcionários, após uma assembleia do Sindicato de Metalúrgicos realizada em um ambiente entristecido.

“Há anos, nós vínhamos abrindo mão de vários direitos e esperávamos um posicionamento diferente da empresa em relação ao investimento necessário”, acrescentou Monteiro, casado, com dois filhos e “sem nenhuma perspectiva” após a decisão da Ford.

– Mercado em queda –

A Ford registra déficits na região há vários anos, agravados pelo colapso do setor no Brasil em 2020 devido à pandemia de coronavírus, que já deixa mais de 203.000 mortos no país.

A venda de veículos novos no Brasil caiu 26,16% em 2020 sob o impacto da pandemia. No ano passado, 2,05 milhões de automóveis foram patenteados, contra 2,787 milhões em 2019.

A decisão da empresa multiplicou as críticas contra o governo de Jair Bolsonaro por suas dificuldades para criar um ambiente de negócios favorável.

O presidente afirmou nesta terça-feira que a Ford decidiu fechar todas as suas fábricas porque “quer subsídios”.

“Mas o que a Ford quer? Faltou a Ford dizer a verdade, né? Querem subsídios. Querem que a gente continue dando R$ 20 bilhões para eles como fizeram nos últimos anos? Não”, declarou Bolsonaro a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília.

A Ford “perdeu a concorrência, lamento”, acrescentou Bolsonaro, sem fornecer maiores explicações sobre os valores mencionados.

Fonte: Yahoo Noticias