Manaus | 12 de agosto de 2026 | 04:30:39

Mesmo com a subida dos rios, todos os municípios do AM permanecem em situação de emergência

Nesta segunda-feira (8) o rio Negro está na cota de 19 metros e 57 centímetros.

Os 62 municípios do Amazonas permanecem em situação de emergência, conforme o Boletim de Estiagem divulgado neste domingo (7), pela Defesa Civil do Amazonas. De acordo com o documento, as nove calhas que compõe o cenário hidrográfico do estado estão fora dos padrões considerados normais. Já são 150 mil famílias e 599 mil pessoas afetadas até o momento.

O secretário da Defesa Civil, coronel Máximo, disse os impactos da estiagem são o motivo de todo o estado permanecer em situação de emergência. “Já passamos da estação seca para a chuvosa. Os nossos rios estão em franca recuperação e isso já permite com que principalmente as comunidades saiam do isolamento. Porém, os fortes impactos causados pela estiagem ainda persistem e por essa razão os 62 municípios ainda estão com os decretos vigentes”, declarou.

Nesta segunda-feira (8), o rio Negro está na cota de 19 metros e 57 centímetros. Desde o fim do repiquete, no dia 17 de novembro do ano passado, as águas tiveram expressiva subida com média de 10cm, 16 cm, 20 cm e até 24 cm. As estações monitoradas pelo Serviço Geológico do Brasil – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB-CPRM) já apresentam comportamento de enchente.

“Por exemplo, o rio Negro em Manaus apresentou subidas diárias regulares na ordem de 10 cm, onde os níveis estão próximos a faixa da normalidade. O rio Solimões também está em processo de enchente, com elevações menores em Tabatinga no alto Solimões e subidas médias diárias de 12 cm nas proximidades de Coari e Manacapuru”, explicou a pesquisadora em geociência, Jussara Cury.

Para efeitos de comparação, o rio Negro em 8 de janeiro do ano passado marcava 19 metros e 59 centímetros, apenas dois centímetros abaixo da maca desse ano. E na mesma data em 2011, logo após a segunda seca história ocorrida em 2010, o rio Negra estava na marca de 18 metros e 91 centímetros. Ou seja, 66 centímetros a menos que na contagem atual. Para os especialistas, o impacto foi maior devido ao El Niño.

Segundo Cury, existem chuvas distribuídas em toda bacia para as próximas semanas. “As estações a jusante como Itacoatiara, Parintins, Óbidos e Santarém no rio Amazonas também registraram elevações diárias características de início da fase de enchente. Os prognósticos climáticos indicam precipitações distribuídas em toda bacia nas próximas semanas, que pode contribuir para a consolidação do processo de enchente da região amazônica”, detalhou.

A previsão é que o fenômeno climático El Niño continue até meados de junho deste ano. “Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o El Niño deve continuar influenciando as correntes e massas de ar do (Oceano) Pacífico até meados de junho de 2024. Juntamente com o aquecimento das águas do Atlântico tem contribuído para as precipitações abaixo da média na parte norte e central da bacia (Amazônica)”, pontuou Cury.

Relacionados

Espaço Publicitário

Últimas postagens