Por enquanto, imunizante contra a Covid-19 depende de uma agulha para ser injetado. Série de exercícios pode ajudar quem tem medo de injeção.

Apesar de as agulhas fazerem parte da vida cotidiana e serem necessárias para a aplicação de remédios e vacinas, o medo delas, também chamado de aicmofobia, é um dos mais comuns do mundo — estima-se que cerca de 10% da população mundial sofra com o problema. Porém, será preciso lidar com ele para receber a imunização da Covid-19, essencial para o controle da pandemia.

A psicóloga Lara Umbelina, da Clínica Renoir, explica que o medo é uma reação completamente normal e natural, desenvolvida para se defender dos perigos. “A causa mais frequente para o medo de injeções são experiências traumáticas passadas, relatos sobre objetos perfurocortantes e associações à dor extrema”, ensina a especialista. Já a fobia é algo desproporcional e irracional por algo que não oferece um risco real ao indivíduo.

“A fobia se caracteriza por um medo extremo direcionado a um objeto que, no caso da agulha, gera desconforto, com sintomas físicos (taquicardia, falta de ar, queda de pressão e tremores) diante de situações como tomar uma injeção, vacina ou colher exame de sangue. O desconforto físico e emocional vai além da dor causada pela própria agulha”, explica Josianne Martins de Oliveira, médica psiquiatra da Associação Psiquiátrica de Brasília.

Lara conta que, em casos mais leves, é possível amenizar o medo com relaxamentos e racionalização do contato com as agulhas. Porém, em situações onde a fobia é intensa, o tratamento com psicólogo é necessário para que o paciente aprenda, com exercícios e estímulos, a lidar com as agulhas. O tratamento completo pode durar até 15 encontros. Se a situação é acompanhada por um transtorno de ansiedade, pode ser necessário o uso de medicamentos para tratar o problema.

Confira algumas dicas para lidar com o medo no dia da vacina:

Buscar informações confiáveis dos efeitos da injeção, entendendo o motivo pelo qual se está enfrentando a situação;

Questionar pensamentos distorcidos que provocam falha na avaliação da situação e substitui-los por ideias realistas e assertivas;

Imaginar a injeção, a agulha e todo o passo a passo da vacinação se atentando à respiração lenta e profunda e ao relaxamento dos músculos;

Acrescentar imagens de agulhas e injeções para se aproximar do estímulo fóbico e conciliá-lo com o relaxamento e a respiração;

Buscar o relaxamento dos músculos, um exercício que pode ser feito tencionando cada músculo do corpo por 5 segundos e relaxando, em seguida;

Se expor gradativamente ao objeto fóbico para promover respostas contrárias à ansiedade;

Conversar com o profissional que lhe atenderá sobre o medo que sente, ele terá as informações necessárias para acalmar a situação;

Manter os sintomas de ansiedade sob controle, fazendo atividade física, dormindo bem, alimentando-se de forma saudável e sem bebidas estimulantes;

Pensar que o desconforto é passageiro e necessário para a proteção;

Ir para a aplicação acompanhado de alguém que lhe traga segurança e conforto emocional;

Se a fobia for muito grave, procurar ajuda médica.

Fonte: Metrópoles