Manaus | 25 de julho de 2026 | 07:49:20

Médicos peritos de Manaus reduzem atendimentos em 60%

Categoria remarcou agendamentos e já planeja repetir cenário nos dias 24 e 31 deste mês em meio à mobilização nacional

Mais da metade dos atendimentos de perícia no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Manaus, foram reagendados no primeiro dia de paralisação de médicos peritos realizado na última quarta-feira (17). A categoria está em mobilização nacional em busca de reajuste e a contratação de novos profissionais. Estão programadas outras duas paradas que deverão afetar novamente o serviço no Amazonas.

Em Manaus, cerca de 60% dos peritos suspenderam os atendimentos na quarta. De acordo com o vice-presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP), Francisco Eduardo Cardoso Alves, de cada dez atendimentos agendados, seis foram remarcados para outra data.

“Se o governo quiser continuar calado, a gente vai para uma greve interminável. O último concurso foi realizado em 2011, então, estão secando a carreira. A paralisação de alerta são dias pré-avisados ao governo onde a categoria não vai trabalhar. Já está avisado ontem [quarta], [e os próximos] dias 24 e dia 31. Se terminar as três paralisações de alerta e o governo insistir em não conversar com a gente, vamos aumentar o número de paralisações e vamos deflagrar uma greve por tempo indeterminado”, informou para A CRÍTICA.

Os dados mais recentes do Portal da Transparência Previdenciária, de dezembro do ano passado, informam que a fila da perícia passava de 850 mil pedidos. O tempo médio de espera para concessão dos benefícios é de 45 a 90 dias. No Amazonas, em novembro/23, foram realizadas 43.283 concessões de benefícios.

Suspensão

Conforme a associação, 3.227 pessoas trabalham como peritos médicos federais. Com a paralisação de alerta, 2 mil pessoas decidiram suspender os atendimentos, representando 70% do percentual. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o estado do Amazonas possui 30 agências da previdência social fixas e duas móveis. Destas, sete são distribuídas pelas principais zonas da capital amazonense.

O principal motivo da paralisação, segundo o vice-presidente da associação, é a insatisfação da categoria com “as atitudes” do gestor do Ministério da Previdência Social, Carlos Lupi. Os peritos cobram reajuste salarial de 23%, além da abertura de concurso para contratação de 1,5 mil novos peritos e cumprimento do acordo de greve de 2022.

“Eles não estão fazendo concurso público, eles falam que vão fazer e não fazem, o nosso salário está congelado há anos e eles estão dando aumento para outras categorias e não estão dando aumento para gente”, comenta Francisco.

Previsão

Um dia antes da paralisação, na terça-feira (16), os ministros da Previdência Social (MPS), Carlos Lupi, e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, publicaram um vídeo nas redes sociais confirmando a previsão de um concurso público para a seleção de novos  médicos peritos.

“O presidente me mostrou, de fato, a carência de médicos peritos federais, o que está dificultando o atendimento à nossa população. A gente reconheceu que é uma área que realmente precisa ter concurso e a gente vai conseguir garantir que ao longo do mandato do presidente Lula, a gente vai ter concurso, vamos chamar os médicos para fortalecer essa área e conseguir atender melhor a população brasileira”, disse Esther Dweck.

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