Um médico que cumpria plantão em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cambé, no norte do Paraná, foi afastado depois de negar o atestado de acompanhante a uma mulher, que levou o filho de cinco anos para ser atendido na unidade. O caso aconteceu nessa segunda-feira (20) por volta das 5h da manhã.
Luciana Gonçalves Costa, mãe do menino, afirmou que o filho estava com febre e outros sintomas gripais, e que precisava do atestado para ficar com ele em casa. Além disso, ela contou que a criança não poderia ir à escola por estar com sintomas de gripe. No final da consulta, Luciana disse que o médico negou o atestado, dizendo ainda que não haveria problema do menino ficar sozinho em casa.
O médico questionou quais seriam os riscos de deixar o menino de cinco anos sozinho em casa e perguntou se o menino tinha alguma dificuldade nutricional ou para se medicar. Ele ainda sugeriu que o menino passasse o tempo sozinho deitado na cama ou assistindo à televisão. A mulher disse que a criança geralmente fica na escola e perguntou quem cuidaria do garoto enquanto ela precisasse trabalhar. O médico sugeriu que a mãe deixasse a comida pronta para que a criança pegasse sozinha, porque a febre não o impediria de comer.
“Assim que acabou a consulta, pedi pra ele um atestado, dizendo que precisava apresentar na empresa e na escola, mas ele falou que não daria. Disse ainda que não teria problema da criança ficar em casa mesmo com febre. Me senti desamparada e comecei a chorar”, afirmou Luciana.
SUS: Médico nega atestado a menino queimando de febre e sugere que criança de 5 anos fique sozinha em casa
— Fernanda Salles (@reportersalles) May 22, 2024
Um médico de uma UPA de Cambé, no Paraná, negou atestado médico a uma mãe que levou seu filho de 5 anos, com febre, para consulta, e disse que ela poderia deixá-lo sozinho… pic.twitter.com/0RLWlOBTpt
Luciana conseguiu o atestado com outra médica, que assumiu o plantão na UPA às 7h.
O médico é terceirizado na unidade e é contratado pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), que afastou o profissional após uma notificação emitida pela Prefeitura de Cambé. O prefeito classificou o atendimento como “inaceitável” e “revoltante” e disse que notificou o Consórcio de que não quer mais o médico nos quadros de profissionais da cidade.
O Cismepar disse que abriu um processo administrativo para apurar o caso. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que também abriu um procedimento para investigar a conduta do médico.






