Fumantes e pessoas com fatores de risco, como sobrepeso e diabetes, ficaram mais vulneráveis a problemas vasculares com o isolamento.

A pandemia da Covid-19 e o isolamento social têm feito com que as pessoas passem mais tempo em casa e, consequentemente, se movimentem menos. Esse estilo de vida mais sedentário contribui para o aumento da incidência de problemas de circulação sanguínea entre os mais jovens, como a doença aterosclerótica e a trombose venosa profunda (TVP).

“Depois que a pandemia começou, observou-se que a incidência dessas doenças aumentou mesmo entre os pacientes mais jovens, com menos de 50 anos, principalmente pelos hábitos mais limitados”, conta a cirurgiã vascular da Clínica Leger, Fernanda Federico.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, a incidência de TVP é de 60 casos para cada 100 mil pessoas de até 50 anos. No caso da trombose arterial por aterosclerose, a recorrência é de mil casos em 100 mil pessoas na mesma faixa etária.

A doença aterosclerótica é uma condição crônica e inflamatória, que causa o entupimento das artérias do corpo com o acúmulo de placas lipídicas (gordura). Ela é mais frequente entre os pacientes idosos e pode ser agravada pelo colesterol alto.

As complicações da doença acontecem principalmente se as placas se descolam e caem na circulação arterial. Quando chegam ao cérebro, podem causar o derrame cerebral e comprometer o sistema motor, por exemplo. Quando se deslocam para os membros inferiores, as placas podem diminuir a irrigação sanguínea das pernas e causar dor, inchaço e vermelhidão.

Nos casos em que atingem as artérias do coração, podem causar o ataque cardíaco (infarto agudo do miocárdio). “É quando o coração tem uma demanda maior de irrigação sanguínea, mas ela é insuficiente pelo entupimento das artérias e o paciente tem a dor do infarto”, explica a cirurgiã vascular.

A TVP é uma doença que afeta as veias, quando um trombo causa a obstrução do fluxo sanguíneo delas. O maior risco, segundo a médica, é a formação de um trombo secundário e que segmentos dele caiam na árvore da circulação pulmonar, causando a embolia pulmonar.

“Dependendo do tamanho, ele (o trombo) pode causar limitação respiratória importante e, nos casos em que é muito grande, pode ser fatal”, afirma. É uma doença aguda e que requer um atendimento rápido. O tratamento normalmente é feito com anticoagulantes.

A cirurgiã vascular chama atenção para a importância de se manter uma rotina alimentar saudável, rica em fibras, com pouca gordura e sódio, bem como evitar excesso de carboidratos e açúcares para a prevenção das duas doenças, e de se movimentar.

Fatores de risco

O sedentarismo é perigoso porque os músculos da panturrilha ajudam o corpo a bombear o sangue dos pés para o coração pelas veias. Quando uma pessoa fica muito tempo parada, a panturrilha não trabalha. Os pacientes que têm varizes ou insuficiência venosa crônica têm a doença agravada nessas situações. “Na pandemia, muitas pessoas ficaram dentro de casa, em home office, com pouco espaço para andar”, conta a médica.

Além da falta de movimentação, o tabagismo, o uso de anticoncepcionais e condições médicas como a obesidade, diabetes, hipertensão arterial, colesterol alto e questões genéticas também são fatores que podem provocar o surgimento e o avanço das disfunções vasculares.

“Esse sedentarismo impactou de uma forma interessante os pacientes mais jovens. As pessoas que ficaram mais expostas e vulneráveis foram as que já tinham fatores de risco. Elas começaram a chegar na emergência com a doença descompensada. Em um cenário melhor, isso poderia ter sido evitado”, avalia.

A cirurgiã dá algumas dicas para a prevenção de doenças vasculares durante a pandemia:

– Pratique exercícios físicos regularmente, mesmo dentro de casa. Caminhadas, alongamentos das pernas e panturrilhas, exercícios na ponta dos pés com extensão e flexão são importantes para evitar o comprometimento da circulação;

– Evite o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e de cigarros;

– Faça pausas regulares com caminhadas para evitar a estase sanguínea nas pernas durante o período de home office, com longos períodos sentado ou deitado.

– Use meias elásticas. O uso delas, quando prescrito por um médico, evita edemas, cansaço e dor nas pernas, além de prevenir TVP em pessoas com fatores de risco;

– Fique atento aos sinais como dor, inchaço, vermelhidão, mudança na temperatura nas pernas e pés. Eles são potencialmente graves. Nesses casos é indicado procurar uma avaliação médica especializada para evitar complicações circulatórias.

Fonte: Metrópoles