Risco de transmissão é menor em ambientes abertos, mas a atual fase da pandemia no país exige nível máximo de proteção.

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19, os Estados Unidos anunciaram, na última semana, que pessoas imunizadas com as duas doses podem ficar ao ar livre sozinhas, ou em companhia de poucos indivíduos, sem máscara. No começo de abril, Israel, que já tem cerca de 70% da população vacinada, também permitiu o fim do uso do item em ambientes externos. Mas será que o mesmo cenário pode acontecer no Brasil?

Alguns estudos apontam que, ao ar livre, a população está mais protegida contra o vírus. A ventilação constante dispersaria as partículas e, caso alguma delas fosse inalada, não estaria em quantidade suficiente para provocar a doença. Porém, é preciso manter a distância de 2 metros de outras pessoas: em aglomerações, ou com muitas pessoas passando, isso é praticamente impossível.

Uma revisão de pesquisas publicada na revista The Journal of Infectious Diseases mostra que, entre as infecções pelo coronavírus reportadas no mundo inteiro, menos de 10% aconteceram ao ar livre. A transmissão em ambientes fechados chega a ser 18,7 vezes maior.

Porém, segundo especialistas, apesar de a transmissão ser menor, o risco existe, principalmente quando se está próximo a pessoas infectadas, que podem estar assintomáticas. Quanto maior a ventilação e o distanciamento, menor a chance de o vírus ser passado adiante.

Jonas Brant, epidemiologista e coordenador da Sala de Situação da Universidade de Brasília (UnB), explica que, ao ar livre, o vento também seca as partículas e inativa o vírus, assim como a ação dos raios ultravioleta.

“O contágio pode acontecer, mas a probabilidade é muito pequena. O conceito de ambiente externo precisa ser trabalhado. Se for em um sítio, tudo bem ficar sem máscara. Mas se eu estiver em um parque, onde se cruza com várias pessoas, é preciso usar o item para evitar o contágio”, diz.

“O uso de máscara faz diferença, não somente para evitar ser infectado, mas especialmente pela consciência coletiva de não contaminar o ambiente e as superfícies. Lembrando que os indivíduos, quando fazem atividade física, tendem a ficar mais ofegantes e respiram pelo nariz e boca, aumentando a dispersão de gotículas“, completa a infectologista Lívia Vanessa, da diretoria da Sociedade de Infectologia do DF.

No Brasil, que passa por uma das piores fases da pandemia até o momento, com taxa de transmissão elevada, grande número de hospitalizações, falta de leitos e alta de óbitos diários, é preciso continuar usando a máscara, mesmo em ambientes abertos e distanciados.

O professor Brant ensina que, quando se está em uma situação extrema, como a que vive o Distrito Federal e algumas unidades federativas, há muitos casos circulando, e a probabilidade de interagir com uma pessoa que esteja com Covid-19, ainda que assintomática ou antes do começo dos sinais, é alta.

“Então, temos que aumentar o nível de biossegurança para evitar o risco de infecção. Quando chegarmos a um nível de transmissão mais baixo, a chance de encontrar alguém contaminado é menor, há retaguarda hospitalar para atender o paciente e, aí, é possível rever a questão das máscaras”, afirma.

O país também está longe de atingir a imunidade de rebanho, como o que acontece nos EUA e em Israel. Por aqui, segundo dados do consórcio de imprensa com informações das secretarias de Saúde, 14,29% da população já tomou a primeira dose e apenas 6,61% está completamente imunizada – é preciso que pelo menos 70% das pessoas estejam protegidas para pausar a transmissão do vírus.

Fonte: Metrópoles