Entre março e maio de 2020, houve redução de 57% no início de novos tratamentos na comparação com o mesmo período de 2019.

Médicos estão preocupados com o atraso no diagnóstico e tratamento de diversos tipos de câncer durante a pandemia. Um estudo feito pelo Instituto Albert Einstein aponta que, entre março e maio de 2020, houve redução de 57% no início de novos tratamentos na comparação com o mesmo período de 2019. Cerca de 45% das consultas foram canceladas e o número de novas visitas a especialistas caiu 56%. Por isso, há um esforço na realização de campanhas nesse sentido: neste mês, é celebrado o Março Azul Marinho, de combate ao câncer de intestino — o segundo mais frequente no Brasil e o terceiro em número de mortes.

Há três anos, Michele Pennachin foi diagnosticada com a doença. Após seis meses de quimioterapia e uma cirurgia para retirar 20 centímetros do intestino, ela está bem — mas relembra que demorou para procurar ajuda médica. “Eu me autodiagnostiquei achando que eu tinha qualquer coisa, jamais passou pela minha cabeça que eu poderia estar com câncer. Ainda mais de intestino. No meu caso, provavelmente, eu estava de seis a oito meses. Olha só, de seis a oito meses com câncer. Então eu demorei um pouquinho mesmo para procurar um diagnóstico.” Apesar de Michele ter percebido o problema ao verificar sangue nas fezes, um dos sintomas mais comuns desse tipo de tumor, as chances de cura do câncer de intestino são ainda maiores em pacientes assintomáticos.

O presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, Sérgio Eduardo Alonso Araújo, explica que é recomendado começar os exames de rastreamento da doença aos 50 anos. “Quando você não tem sintoma, a chance de cura beira 95%. Quando o diagnóstico é feito por sintoma, ou seja, por sangramento ou alteração de hábito, cai para 65%, 70%. O que prova que  a prevenção.” Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a cada hora quase cinco casos são diagnosticados e duas pessoas morrem com esse tipo de tumor no país.

Fonte: JP Noticias