Pesquisa feita com 60 milhões de vacinados mostra que imunizante do Butantan diminui riscos em 70%. Para a AstraZeneca, percentual é de 80%.

De acordo com o maior estudo de “mundo real” feito por pesquisadores brasileiros e publicado nesta quarta-feira (25/8) na plataforma medRxiv, a Coronavac apresenta efetividade de mais de 70% contra o coronavírus. No caso da vacina Oxford/AstraZeneca, a capacidade de evitar uma internação hospitalar ou a admissão em UTI ultrapassa 80%. O documento ainda está em formato pré-print, ou seja, não foi revisado pela comunidade científica.

O levantamento analisou dados de 60 milhões de brasileiros, sendo que 26,2% deles (21,9 milhões) foram imunizados com a vacina fabricada pelo Butantan. O restante tomou o imunizante da Oxford/AstraZeneca.

Foi avaliada a efetividade das vacinas, o que não é o mesmo que eficácia – pois os dados de efetividade são baseados no cenário real e não no experimento controlado. Os pesquisadores usaram os dados hospitalares do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe para confrontar as informações prestadas pelos participantes.

Entre as pessoas que tomaram as duas doses da Coronavac, 54,2% tiveram risco menor de infecção pelo coronavírus, 72,6%, menor chance de hospitalização, 74,2% menor risco de precisar de UTI e 74% menor chance de falecer em consequência da Covid-19. Nas pessoas que só tomaram uma dose da vacina, a redução de riscos foi de 50%, 26,5%, 28,1% e 29,4%, respectivamente.

Quando se observa apenas indivíduos com mais de 60 anos, a redução no risco de hospitalização foi de 84,2%; de admissão em UTI, 80,8%; e de morte, 76,5%. Em pacientes com mais de 90 anos, a efetividade caiu: foi de 32,7%, 37,2% e 35,4%, respectivamente.

No caso da vacina Oxford/AstraZeneca, os participantes que tomaram as duas doses tiveram 70% menos chance de se infectar, 86,8% menos risco de internação, 88,1% menos chance de admissão em UTI e 90,2% menos risco de morte. Apenas com a primeira dose, os riscos caem 32,7%, 50%, 53,6% e 49,3%, respectivamente.
Em idosos com mais de 60 anos, a redução do risco de hospitalização, admissão em UTI e morte por Covid foi de, respectivamente, 94,2%, 95,5% e 93,3%. Em pessoas com mais de 90 anos, o percentual cai para 54,9%, 39,7% e 70,5%, respectivamente.

O grupo de cientistas que inclui pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), das universidades federais da Bahia e de Ouro Preto, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, London School of Hygiene & Tropical Medicine e Fundação Oswaldo Cruz considera que as duas vacinas, Coronavac e AstraZeneca, são eficazes em pacientes de 60 a 89 anos, e sugerem uma terceira dose de reforço para pessoas com mais de 90 anos.

Fonte: Metrópoles