A erva conhecida como “skunk” era a mais vendida pelo traficante. A porção custava, aproximadamente, R$ 150 e tinha alta concentração de THC

Suspeito de cultivar uma plantação de maconha que tomava todo o espaço de um apartamento, o publicitário Thiago Maniglia (foto em destaque), 43 anos, faturava cerca de R$ 15 mil por mês com a venda de maconha. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a erva conhecida como “ skunk” era a mais comercializada pelo homem acusado de tráfico. A porção custava aproximadamente 150

Um caderno com anotações, fluxo de caixa e tipos de maconha vendidas foi apreendido por investigadores da Seção de Repressão às Drogas da 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante) na tarde de ontem  (29/7), no imóvel alugado por Thiago, desde dezembro do ano passado.

Investimento de R$ 10 mil

No apartamento havia cerca de 20 pés de maconha, todas nas três estufas estruturadas com ventilação e iluminação artificial. Também foram encontradas outras 30 mudas prontas para plantio. Ao todo, segundo a polícia, o estúdio recebeu um investimento inicial de R$ 10 mil. Além disso, custos mensais com aluguel e contas de luz, água e insumos utilizados foram calculados em torno de mais R$ 2 mil.

Até o momento, foram identificadas pelo menos duas espécies da planta cultivadas no espaço: Cannabis sativa e Cannabis indica. Elas têm aparência, efeitos e até períodos de cultivo diferentes, que variam de 45 a 90 dias. O cruzamento dessas espécies produz elevados níveis de THC e CBD, principais canabinoides da maconha.

Consumo próprio

Embora mantivesse a produção no Núcleo Bandeirante, os investigadores também foram até o apartamento onde o suspeito de tráfico reside, na Asa Norte. No local, encontraram potes com maconha e uma balança de precisão.

Autuado em flagrante, o homem declarou que a plantação seria destinada ao consumo próprio. De acordo com as autoridades, as investigações continuam a fim de identificar pelo menos outras quatro pessoas envolvidas com a plantação ilícita.

Gourmetização do tráfico

Traficantes do Distrito Federal passaram a apostar no tráfico de ervas geneticamente modificadas nos últimos anos. As chamadas maconhas gourmet apresentam sabores diferenciados, como limão framboesa e até chocolate, o que tem chamado a atenção de usuários com alto poder aquisitivo na capital federal.

Uma pequena porção chega a custar R$ 1,4 mil. Ao contrário do produto vendido nas ruas e em bocas de fumo, as substâncias gourmet são negociadas em rodas de amigos.

Os grupos de WhatsApp se tornaram território livre para os traficantes repassarem o entorpecente para colegas de faculdade e dos locais onde moram. Alguns chegam a expor uma espécie de cardápio, com uma infinidade de ervas modificadas à disposição dos “clientes”.

 

Fonte : Metrópoles