Pesquisa realizada em 30 países aponta que, mundialmente, o aumento foi de 6,1 quilos; nutricionista explica como as incertezas da crise sanitária impactam na saúde.

A crise da Covid-19 trouxe consequências à forma física do brasileiro, o ganho de peso foi o que chamou mais atenção dos especialistas. Esse aumento está relacionado a vários fatores neste momento de pandemia, como o isolamento social, a redução da atividade física e a alta ingestão de alimentos. O policial militar Adriano Félix conta que engordou no período e agora corre atrás do prejuízo com atividade física. “Optei pela bicicleta justamente pelo peso para não ter fratura no joelho, nos ligamentos, a bicicleta me proporcionou perder seis quilos”, relata. Da mesma forma, a produtora artística, Vera Lucia, também coloca a culpa na pandemia pelo aumento de peso. “Fica dentro de casa, ansiedade e estresse, você come muito. Acredito que engordei seis quilos”, disse. Para o nutricionista Matheus Motta, as incertezas do cenário atual também têm contribuído para o aparecimento de sintomas psicológicos, como ansiedade e depressão, que podem gerar a compulsão alimentar.

“Como você lida com a sua fome emocional, que é a fome relacionada às emoções. Então estresse, ansiedade, depressão, tudo isso gera um gatilho para você comer alguma coisa para tentar lidar com este sentimento. Quando você está estressado ou muito ansioso acaba recorrendo a um alimento que te traz um certo conforto”, relata. Uma pesquisa realizada em 30 países pelo Instituto IPSOS mostra que, no Brasil, as pessoas ganharam em média 6,5 quilos. Mundialmente, a média foi de 6,1 quilos. Segundo a especialista, pacientes com obesidade apresentam mais risco ao contrair a Covid-19, porque possuem maior predisposição para infecções.“Quando a gente pensa numa pessoa com quadro de obesidade, acima do peso, provavelmente ela tem algum desequilíbrio no corpo. Isso pode afetar a imunidade dela, por exemplo, a imunidade pode estar muito reativa, o que pode trazer alguns malefícios. Ela pode não ter uma alimentação equilibrada e estar com um imunidade  baixa.”

Tatiana Menezes passou por uma reeducação alimentar e vivia de forma saudável. Porém, com a crise sanitária, ela viu a balança registrar sete quilos a mais. “Sentia que precisava de um confort food, então precisava daquelas comidas que me remetiam aconchego e geralmente essas comidas são as calóricas. Isso fez com que eu engordasse sete quilos na pandemia”, pontua. O nutricionista Matheus Motta alerta que a obesidade deve ser encarada como uma doença crônica. “A obesidade é tem que ser tratada, ela acaba desencadeando muitos problemas. As vezes ela começa com a obesidade e começa com outros problemas, cardiovasculares, hipertensão, colesterol alto, diabetes, então tudo isso tem relação. A obesidade tem que ser tratada, a pessoa tem que procurar especialistas para tratar esse quadro”, esclarece. Com a população mais pesada, os médicos recomendam que a rotina saudável seja prioridade. A alimentação equilibrada e prática de atividade física mesmo que em casa são formas de prevenção.

Fonte: JP Noticias