Durante o ano de 2020, mais de 5,5 milhões de estudantes no Brasil não tiveram atividades escolares.

Daisy Soares do nascimento é mãe de cinco filhos e quatro são estudantes da rede pública de ensino. Na casa dela, tem apenas um celular à disposição com internet. A balconista conta que durante a pandemia, os filhos ficavam sozinhos enquanto ela precisava trabalhar. “Tem só um celular aqui em casa, que é o meu. E eles estão em séries diferentes, são aplicativos diferentes. E não tive tempo nem como dar esse suporte para eles estudarem remotamente. Eu não tenho Wi-Fi em casa, né, eu uso dados móveis. Então é fraco, é ruim.”

Durante o ano de 2020, mais de 5,5 milhões de estudantes no Brasil não tiveram atividades escolares e muitos tiveram acesso limitado a elas — em especial os mais vulneráveis. Uma das razões é a falta de acesso à internet, que contribui para a perda do vínculo com a escola e, consequentemente, a exclusão escolar. Um estudo da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, com apoio de Itaú Social e Unicef, ouviu mais de 3,6 mil secretários de educação de todo país para entender como como foi o ensino na pandemia. Segundo a pesquisa, quase 92% dos alunos tiveram apenas aulas virtuais após o fechamento das escolas. O restante, 8,9%, adotou modelo híbrido — mais de 90% dos municípios utilizaram aulas por WhatsApp e materiais impressos para as atividades remotas.

As aulas gravadas foram utilizadas por 60% dos municípios e pouco mais da metade (54%) tiveram orientações on-line por aplicativos. Já vídeo-aulas ao vivo aconteceram em apenas 21% das redes municipais que responderam à pesquisa. Segundo o presidente da Undime, Luiz Miguel Martins Garcia, o acesso à internet e a infraestrutura escolar foram os maiores desafios das redes municipais de educação em 2020. “Nós temos em torno de 50% dos alunos com esse grau de dificuldade, praticamente sem acesso. E nós temos 25% dos professores também com esse grau de dificuldade. O que mostra uma dificuldade muito grande para se desenvolver o processo da educação de um modelo híbrido, utilizando mesmo esse recurso usado no ano passado.” Para 2021, 63,3% das redes planejaram começar o ano letivo de forma remota; 26,3% pretendem iniciar de forma híbrida; 3,8% de forma presencial; e 6,6% ainda não definiu.

Fonte: JP Noticias