Manaus | 25 de julho de 2026 | 11:20:29

Infarto, convulsões e psicose: tudo o que se sabe até agora sobre os riscos das ‘drogas K’, usadas em ruas e baladas

Conhecidas como K2, K4, K9 e spice, substâncias são produzidas em laboratório e tem efeito cerca de 100 vezes superior à maconha.

Viciantes, baratas e de fácil acesso, as “drogas K” têm ganhado espaço no Brasil. A primeira ocorrência de uma substância do tipo foi ainda em 2017, mas foi no ano passado que o uso realmente explodiu. Relatos do “efeito zumbi” têm circulado nas redes, mostrando jovens vagando desorientados.

Para comparação, as apreensões do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime (GAECO) na região da Cracolândia, em São Paulo, cresceram 600% em comparação com 2021. Mas as drogas ilícitas são encontradas também em baladas e nas ruas de outros municípios do país.

Abaixo, confira tudo o que se sabe sobre as “drogas K” e os principais riscos para a saúde:

O que são as drogas K?

K2, K4, K9 e spice são muitos nomes pelos quais as chamadas “drogas K” são conhecidas. Elas são consideradas canabinoides sintéticos, por serem produzidas em laboratório e ativarem mesmos mecanismos do corpo que a maconha. No entanto, especialistas são contra o nome “maconha sintética”, uma vez que o efeito das drogas chega a ser 100 vezes superior ao que o derivado da planta consegue causar.

— É uma droga que tem surgido com uma frequência e uma diversidade de estruturas cada vez maior. E representa um perigo porque, embora ative os mesmos receptores no corpo que o THC da Cannabis, e por isso tenha o nome de canabinoide sintético, ela tem um potencial de letalidade, de toxicidade, muito maior. Não vemos casos de overdose por consumo de cannabis, mas vemos muitos casos, muitas vezes letais, pelos canabinoides sintéticos. E vemos apreensões não só em São Paulo, mas no Brasil como um todo, ganhando popularidade — disse o professor em Ciências Forenses da Universidade de Winchester, no Reino Unido, Julio Ponce, farmacêutico e perito criminal da Polícia Científica do Estado de São Paulo por 13 anos.

Como as ‘drogas K’ são consumidas?

Os diferentes nomes costumam ser justamente em relação à modalidade em que a droga é consumida. Ela pode ser borrifada em material vegetal seco, como flores ou oréganos, em papel, selo, inalado direto da pipeta ou vendidos como líquidos para serem vaporizados e inalados em cigarros eletrônicos. Existem mais de cem tipos diferentes de canabinoides sintéticos, podendo haver combinações entre eles para o uso.

Como as ‘drogas K’ foram descobertas?

As novas substâncias psicoativas foram, na realidade, descobertas por acidente. É o que explicou o coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Universidade Estadual de Campinas (CIATox de Campinas), José Luiz da Costa.

— Estavam estudando como funcionava o sistema endocanabinoide, mas no lugar de usar THC eles sintetizavam compostos que acionavam esse sistema no cérebro de ratos, por exemplo, e assim mapeavam o efeito no cérebro. Só que (esse material) passou a ser usado como droga. Esses novos canabinoides sintéticos, na rua hoje em dia, não tem produção na indústria farmacêutica — afirmou.

Quais são os riscos das ‘drogas K’?

Segundo a Fundação de Álcool e Drogas da Austrália (ADF), alguns riscos das “drogas K”, especialmente quando consumidas em alta quantidade e de tipos mais potentes, são:

  • Perda de coordenação;
  • Batimento cardíaco rápido e irregular;
  • Devaneios;
  • Agitação, ansiedade e paranóia;
  • Psicose;
  • Comportamento agressivo e violento;
  • Dor no peito;
  • Vômito;
  • Pressão arterial elevada (hipertensão);
  • Dificuldades respiratórias;
  • Hipertermia (superaquecimento);
  • Degradação do tecido muscular (rabdomiólise);
  • Lesão renal aguda;
  • Convulsões;
  • Infarto;
  • AVC;
  • Morte.

A longo prazo, a ADF diz ainda que o uso pode levar a problemas de saúde mental, problemas cardíacos e deficiências comportamentais e cognitivas.

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