Com cremes ou produtinhos da cozinha, entenda quais são cuidados a se tomar ao tratar os fios em casa.

Já virou rotina na vida das mulheres fazer hidratações caseiras para deixar as madeixas mais brilhantes e bonitas usando produtos naturais ou com cremes específicos para esse fim. Mas, será que essa prática não traz riscos aos fios? Especialistas falam sobre os cuidados e o que evitar na hora de tratar o cabelo em casa.

Receitas caseiras com azeite de oliva, óleo de coco, abacate e outros alimentos naturais tornaram-se bastante populares. Isso aconteceu porque o mercado estético para tratamento dos cabelos, por muitos anos, era voltado para fios lisos ou para alisá-los. A falta de opções para a variedade de cabelos – entre cacheados, crespos e ondulados – fez algumas pessoas resgatarem as famosas receitas da vovó, no melhor estilo “faça você mesmo”.

A onda de usar produtos baratos, disponíveis em casa e que prometem milagres logo virou febre. As milhares de receitas se difundiram na internet e, com poucos cliques, é possível encontrar diversas variações. Bruno Mars foi um dos artistas que fez declarações surpreendentes sobre os produtos “exóticos” que passava em seu cabelo para manter o famoso topete.

“Não sei as medidas exatas, mas há bastante margarina, sucos de frutas naturais e até batatas de churrasco”, disse o cantor quando questionado sobre o que passava nos fios para mantê-los em pé e brilhantes. A prática, no entanto, alerta especialistas sobre o que esses produtos podem causar (ou não) aos fios.

Sem efeito

“Apesar de eu não indicar e nem recomendar essas receitas para ninguém, não há uma contraindicação sobre elas. O que pode acontecer é não mudar em nada os fios. Ou seja, não hidratar e nem dar mais brilho ao cabelo”, explica Nyll Figueiredo, especialista em madeixas femininas.

Já é sabido que algumas frutas, como o abacate, possuem propriedades que ajudam na hidratação dos cabelos. Porém, passá-lo direto no fio não é sinônimo de atingir o resultado desejado. “O ideal é usar um creme que seja feito à base do abacate, da água de coco ou de outros componentes naturais. Esses cremes conseguem canalizar as moléculas desses alimentos para que o cabelos os absorva da forma correta”, explica a cabeleireira Clene Caldas.

Além disso, o uso excessivo de alguns produtos na raiz do cabelo pode causar doenças. Além da dificuldade de retirar o excesso, algumas consequências são o aumento da oleosidade do couro cabeludo, causando queda dos fios e até dermatite seborreica, as temidas caspas. O ideal é sempre procurar um especialista.

Para Caldas, que possui um salão de beleza no Guará, alguns produtos, ainda que simples, precisam ser usados com cautela. “Quem passa óleo de coco e azeite de oliva, por exemplo, deve evitar de qualquer forma o contato com sol ou secador, pois eles podem, literalmente, fritar o cabelo em altas temperaturas”, esclarece.

Gorduras naturais, o azeite e o óleo de coco são capazes, de fato, de mostrar um efeito mais brilhante nos fios, mas nada de exagero. Se mesmo assim quiser arriscar, não passe no couro cabeludo e lave bem após a aplicação, com shampoo, condicionador e antitérmico, ao finalizar. Mesmo após lavar o cabelo, ele deve secar naturalmente e à sombra.

Produtos químicos em casa

Tudo bem que hidratar o cabelo no salão de beleza com um especialista deixa os fios mais bonitos por mais tempo. No entanto, a prática acaba custando mais caro e, para muita gente, é inviável repeti-la com frequência. A solução que algumas pessoas encontram é comprar produtos semelhantes aos usados nos salões.

“Muita gente faz isso e pode acabar saindo barato. Mas é preciso lembrar que só os profissionais da área entendem se o produto é realmente bom para o seu cabelo. Por conter química, eles podem mexer no pH do fio e mudar sua estrutura”, explica Caldas. É o especialista quem vai saber identificar o problema das madeixas e o melhor método para recuperá-las de forma saudável.

O perigo pode ser ainda maior para quem tem os fios pintados ou descoloridos, relembra a cabeleireira. “Alguns produtos que usamos no salão são caros, e há quem escolha opções mais em conta. É preciso se atentar às especificações de composição do creme, ele pode conter formol ou outros alisantes químicos que trazem sérios riscos à saúde dos fios e até de quem usa”, aconselha.

“Além disso, a atenção deve ser redobrada quando o creme, além de hidratar, promete o alisamento dos fios. O que pode estar acontecendo, na verdade, é você estar comprando um produto com formol sem saber”, alerta Caldas.

Riscos do formol

Por muito tempo, o formol foi utilizado para alisar os fios. O composto químico trouxe uma série de problemas à saúde das mulheres que faziam procedimentos com o produto. Devido aos altos riscos de intoxicação e até casos de morte pela sua inalação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso do químico para fins estéticos em 2009. Ainda sim, alguns itens burlam essa determinação.

“Na prática, o que acontece é que se adiciona, de forma aleatória, formol aos produtos em concentrações muito maiores que o recomendado pela Anvisa – limitado a uso de 2%, quantidade que possui poder de conservante“, explica a médica Fabiane Andrade Mulinari Brenner, coordenadora do Departamento de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

A dermatologista ainda esclarece que o uso do formol não deve ser feito no salão de beleza e muito menos em casa. “Além de causar dermatites, queda de cabelos e irritação de mucosa ocular e respiratória, a  longo prazo ele tem potencial de causar câncer. Foi proibido por esse motivo”, ressalta.

Fonte: Metrópoles