Para grupo, é preciso focar em descaso de deputada com tragédia em São Paulo e relação dela hacker, e não com assinatura do Brasileirinhas.
O perfil no Twitter EterSec Anonymous cobrou nesta quinta-feira (23/2) que a cobertura jornalística sobre dados vazados da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foque em denúncias. Nessa quarta-feira (22/2), a conta publicou um link onde é possível fazer download de supostos dados bancários da parlamentar0. Entre os extratos, estava a compra em um site de conteúdo adulto, o que chamou atenção na internet. A assinatura do site foi, posteriormente, negada pela parlamentar.
A descrição do perfil que publicou os dados afirma que a EterSec Anonymous é “um braço da Anonymous no Brasil”. Os Anonymous são um grupo internacional de hackers que ficou conhecido por, ao longo dos anos, atuar por meio de ativismo na internet. Para o grupo hacker, o importante das denúncias é que a deputada estava em um spa enquanto acontecia a tragédia no litoral de São Paulo e a sua ligação com Walter Delgatti, hacker pivô da Vaza Jato.
“A mídia novamente fez um recorte inútil de uma de nossas operações, tirando a atenção do que realmente importa em nosso último exposed. Zambelli estava em um spa enquanto o litoral de São Paulo acumulava mortes”, diz o grupo.
“Também chamamos atenção para a relação entre Zambelli e Delgatti, que, apesar de ter sido personagem de matérias onde ele confessa que cometeu crimes contra o processo eleitoral e a tentativa de invadir o celular de um ministro da Suprema Corte, nas últimas semanas não recebeu a mesma atenção que a informação de que existe uma assinatura do site Brasileirinhas no CPF de Carla Zambelli”, continuam os hackers.
Veja:
https://twitter.com/i/status/1628718815721693189
Desde as chuvas que atingiram o litoral de São Paulo no Carnaval, o estado acumula 49 mortes e 1,7 mil pessoas desalojadas. Nessa quarta, Carla Zambelli criticou a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, por participar do Carnaval em meio à tragédia. Para o grupo que expôs os dados da parlamentar, o mesmo pode ser afirmado de Zambelli, que estaria em um spa enquanto o estado pelo qual foi eleita contabilizava óbitos.
Briga de hackers
O EterSec Anonymous chamou atenção para a relação da deputada federal com um outro hacker, Walter Delgatti. Delgatti foi uma das pessoas que ajudou a revelar as irregularidades da Operação Lava Jato, disponibilizando ao site The Intercept Brasil as conversas privadas entre os investigadores e deles com o ex-juiz Sérgio Moro. As interações indicam que havia conluio entre o juízo e a acusação.
Em 7 de fevereiro último, o site The Brazilian Report revelou áudio em que Delgatti admite tentar hackear o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Alexandre de Moraes. O magistrado é desafeto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem Zambelli é aliada.
Antes, o hacker já havia se aproximado do grupo político do ex-presidente. Segundo matéria do colunista Rodrigo Rangel, Delgatti procurou Zambelli em agosto de 2022 afirmando que se sentia abandonado pelo PT e queria ajudar na campanha de Bolsonaro. A partir daí, a deputada organizou um encontro com o então presidente.
Dados da deputada
O EterSec expôs diversos dados de Carla Zambelli na internet, incluindo o número de telefone dela. Entre as informações publicadas, o único dado errado diz respeito à cidade em que Carla nasceu. O grupo de hackers afirmou que ela é natural de Birigui, mas a deputada nasceu em Ribeirão Preto. Dados como o número de CPF e título de eleitor da deputada estão corretos.
Fonte: Metrópoles





