Manaus | 4 de junho de 2026 | 21:20:59

Grupo de empresários desarticulado pela PF movimentou R$ 156 milhões com pirâmide financeira

Vídeo que circula pelas redes sociais mostra os acusados de  estelionato pela Polícia Federal se abanando com dinheiro em uma boate de Manaus. Os jovens eram famosos por ostentarem viagens internacionais, carros importados e uma vida repleta de luxos.

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (14) a Operação Fair Play, que desarticulou um grupo empresarial que movimentou, aproximadamente, R$ 156 milhões, com golpe de pirâmide financeira nos últimos dois anos. As investigações apontam que a empresa investigada buscava atrair principalmente servidores públicos e aposentados.

O Golpe

De acordo com o contrato, os servidores deveriam fazer o empréstimo e repassar o valor para a empresa Lótus Corporate, que pagava uma comissão de até 12% em cima do valor total do empréstimo, além de quitar a dívida feita pelo servidor. Tal contrato teria durabilidade de um ano e mensalmente a Lótus pagaria as parcelas, no entanto, as vítimas começaram a receber cobranças de bancos referente a parcelas em atraso, mostrando que a empresa estava “sumindo” com o dinheiro.

Quem são eles

O presidente do grupo Lótus Corporate, é Jorge Luiz Guimarães de Araujo Dias, e Farley Felipe de Araujo da Silva seria sócio direto de Jorge.
O grupo já atua também em outras cidades do Brasil como Rio de Janeiro, Belém, Boa Vista e Natal. Com esse golpe, já movimentaram mais de R$ 156 milhões, e lavaram o dinheiro com atividades diversas.

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As investigações

De acordo com os delegados que estão atuando no caso, as investigações iniciaram há um ano, a partir de denúncias que chegaram à Superintendência da Polícia Federal. E mostraram também que o grupo empresarial atuava em outros segmentos comerciais.

Segundo a PF, o grupo apresentou evolução patrimonial meteórica, enquanto ostentavam um alto padrão de vida em redes sociais, residindo em condomínios de luxo, realizando viagens nacionais e internacionais e adquirindo veículos e embarcações também de luxo.

Sete mandados de prisões temporárias foram expedidos pela Justiça Federal. Destes, quatro foram cumpridos e três suspeitos estão foragidos. Foram expedidos também 19 mandados de busca e apreensão que estão sendo cumpridos nas capitais Manaus, Natal, Boa Vista e em Belém.

Foram apreendidos em Manaus uma lancha luxuosa, avaliada em R$6 milhões, três carros de luxo, joias, maconha e tres armas de fogo.

Além dos mandados, foi determinado o bloqueio de bens e valores das pessoas físicas e jurídicas investigadas, tal como o sequestro de bens móveis e imóveis que, eventualmente, estejam em sua posse.

Lavando dinheiro

O grupo ligado à Lotus usava o lucro do golpe para promover outras atividades econômicas diversas, que iriam desde a realização de shows em Manaus com contratações nacionais, até compra e venda de veículos e imóveis. A empresa Royals Entretenimento era a responsável por trazer os shows e lavar parte do dinheiro dos golpes. Ela inclusive está no nome de Farley Felipe de Araujo da Silva, que é bastante conhecido na cidade, e tem Jorge como sócio. Essa mesma empresa já havia sido alvo do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) por estelionato em março deste ano.

“Envolviam desde à promoção de eventos a fim de divulgar suas atividades, a exemplo da realização de shows com atrações nacionais na cidade de Manaus/AM, campeonatos de pescaria, patrocínio de equipe de e-sports, até a compra e venda de automóveis”, afirmou a PF.

Veja como funcionava a organização:

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Donos da Lótus eram tidos como “jovens promissores” nas redes sociais

Jorge Luiz Guimarães de Araujo Dias explodiu em páginas de fofocas em 2021 que elogiavam e vendiam sua imagem como a de “jovem da comunidade que virou um grande empresário”. Quando Jorge Dias tinha 18 anos, alguns blogs elogiam o jovem por ter sido proprietário de uma sorveteria, ter estagiado em Engenharia de Produção e viajar o mundo conhecendo outras culturas.

Na época, Jorge Dias disse: “Comecei fazer faculdade particular de Engenharia de Produção, mas não terminei. Parei no sétimo período porque surgiu uma oportunidade de ir para Manaus abrir uma empresa de investimentos. Eu nunca tive medo de arriscar, então, não pensei duas vezes pra correr atrás do novo negócio”.
Naquele tempo, segundo matéria paga pelo próprio Jorge ao site Observatório dos Famosos,  ele havia acabado de abrir a Lótus e iniciava com seu amigo, Farley Felipe De Araújo Da Silva.

Operação

O nome da operação, Fair Play, faz alusão à conduta ética exigida na prática de esportes, que preza pela atuação em conformidade com as regras estabelecidas.

“A operação policial tem como objetivo revelar a atuação irregular de grupo empresarial no ramo de investimentos financeiros, fornecendo aos órgãos de controle e regulação subsídios para repressão administrativa, cível e penal”, ressaltou a PF.

As autoridades apuram desde crimes contra o sistema financeiro, contra a economia popular, lavagem de dinheiro a organização criminosa, dentre outros, cujas penas máximas somadas ultrapassam 30 anos de prisão.

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