ONG denunciou ação do gabinete de Ortega; 27 presos foram apresentados para mostrar estado de saúde à sociedade.
A ONG Cenidh (Centro Nicaraguense de Direitos Humanos) classificou nesta quinta-feira (1º) de “desfile macabro” a exibição de um grupo de 27 opositores ao governo de Daniel Ortega — que considera presos políticos — que foram presos há mais de um ano, na Nicarágua.
“Pelo terceiro dia consecutivo, o regime Ormu (Ortega e esposa, a vice-presidente Rosario Murillo) continua um desfile macabro contra os presos políticos”, denunciou o Cenidh, em um comunicado.
Os 27 opositores que estiveram expostos desde a última terça-feira (30) até hoje “estão fisicamente irreconhecíveis e é evidente que têm problemas de saúde […], mas continuam firmes e dignos”, disse a organização, que foi proibida como ONG pelo governo sandinista no contexto da crise que a Nicarágua vive desde abril de 2018.

Por seu lado, a oposição Aliança Cívica pela Justiça e Democracia disse que “todo o sistema (in)justiça funcionou como um pelotão de fuzilamento judicial sob as ordens de Ortega e Murillo”, exibindo desta forma os opositores.
“Estas exposições são a prova mais clara das graves violações dos direitos humanos a que estão sendo submetidas”, afirmou a Aliança Cívica, que foi a contrapartida do governo em uma mesa de negociações falhada onde se buscou uma solução pacífica para a crise que eclodiu em abril de 2018 devido as polêmicas reformas previdenciárias.

As autoridades nicaraguenses, através dos meios de comunicação, mostraram publicamente 27 opositores que estão presos há mais de um ano na prisão policial de El Chipote e que são considerados presos políticos por organizações humanitárias, depois que parentes denunciaram que sofriam de desnutrição e perda de peso extrema.
Nas imagens foi possível observar os presos, incluindo quatro opositores aspirantes à Presidência que pretendiam concorrer com Ortega nas eleições de novembro do ano passado, com roupas azuis de presidiários, com aparências físicas semelhantes às descritas por parentes antes, ou seja, rostos pálidos e corpos visivelmente magros.

A diretora da Anistia Internacional para as Américas, Erika Guevara Rosas, disse ontem que o governo Ortega exibiu publicamente “prisioneiros políticos” para enviar uma mensagem a seus detratores e opositores. “Eles usam essas pessoas como exemplo para que ninguém ouse levantar a voz na Nicarágua”, disse Guevara Rosas durante uma entrevista coletiva, na qual avaliou que as aparências físicas dos opositores presos refletem as “condições desumanas e humilhantes” a que foram sujeitos.
Nem Ortega nem Murillo se referiram à exposição pública de “presos políticos”, embora os meios de comunicação, como o 19 Digital, afirmem que “continuam novas audiências (informativas) contra golpistas presos, terroristas e traidores do país”.

Estão encarcerados na prisão policial de El Chipote, oficialmente conhecida como Direção de Assistência Judiciária, líderes da oposição, estudantes, camponeses, empresários, jornalistas e profissionais independentes, entre eles sete opositores que pretendiam concorrer à presidência nas eleições de novembro do ano passado
Os opositores, detidos entre maio e novembro de 2021, foram condenados a penas de entre 7 e 13 anos de prisão por crimes considerados como “traição à pátria” ou lavagem de dinheiro. O presidente Ortega já os descreveu como “traidores do país”, “criminosos” e “filhos da p… dos imperialistas ianques”.

Fonte: R7





