No Dia Nacional de Combate ao Fumo a OMS alerta que fumantes estão no grupo de risco do coronavírus

O cigarro é a principal causa de morte evitável no mundo e reduz, em média, 20 anos de expectativa de vida de um fumante. Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Fumo, que se reveste de ainda mais importância nesta pandemia da covid-19 por dois grandes motivos: o primeiro são os males já conhecidos que o cigarro traz. O segundo é a ansiedade que vem atrelada em tempos de Novo Coronavírus.

Segundo informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), além de serem considerados grupos de risco no desenvolvimento de diversas doenças, os tabagistas também são apontados como grupo de risco para o novo coronavírus, por estarem mais suscetíveis a infecções respiratórias. Pelo possível comprometimento da capacidade pulmonar, esse grupo ainda possui mais chances de desenvolver sintomas graves da Covid-19.

“A ansiedade aumentou em 40% da população e temos as pessoas que, hoje, estão passando pelas situações de transtorno, de ansiedade e estresse pós-traumatico, além da depressão. O que precisamos entender é que as pessoas, ao invés de buscarem alternativas terapêuticas ou medicamentosas, estão buscando  substâncias lícitas como cigarro, ou bebidas, para aliviar a sua ansiedade”, explica a psiquiatra Alessandra Pereira, que vai além.

“É o que tem acontecido muito: as pessoas aumentaram o consumo de substâncias como cigarro e álcool como forma de buscar o alívio. E também porquê o mesmo não vai ao médico por preconceito, buscando a automedicação por uso dessas substâncias citadas”, disse ela, membro da Associação Médica Brasileira (AMB) e titular das associações Brasileira (ABP) e Amazonense de Psiquatria (AAP) e, também, professora da Faculdade Fametro.

“O fumante vira um alvo nessa pandemia. O alívio dos sintomas posterga o tratamento da doença de base. A pessoa, quando chega no especialista, e quando chega nele, a doença já está em um nível mais grave”, acrescenta ela, criticando, também, o uso de alternativas a fumantes como o cigarro eletrônico e o narguilé. De acordo com uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde (MS), o uso de narguilé aumenta entre adolescentes de todo o Brasil. Cerca de 9% dos jovens entre 13 e 15 anos já haviam fumado o aparelho (2015).

A comercialização do cigarro eletrônico é proibida no Brasil pela Anvisa desde 2009, por não existirem estudos que comprovem a segurança na utilização do produto. Mas, no último dia 8 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) promoveu uma audiência pública sobre a regulamentação dos aparelhos no País.

Evitar

Ex-fumante, o diretor-presidente da Fundação Cecon e mastologista, Gerson Mourão ressalta que o tabagismo se tornou a maior causa de morte isolada e evitável do mundo.

“O tabagismo é o maior fator de risco para doenças cardiovasculares e respiratórias, além de mais de 20 tipos e subtipos de cânceres. Todos os anos morrem mais de 8 milhões de pessoas pelo uso do tabaco, conforme dados da Organização Mundial de Saúde”, frisa o especialista. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca)), 428 pessoas morrem por dia no Brasil devido ao tabagismo.

Os dados mostram ainda que mais de 156 mil mortes anuais, principalmente por causa do câncer, poderiam ser evitadas.

Processo para largar o cigarro

Algumas  pessoas, como o jornalista César Augusto de Oliveira, 47, ainda fumam, mas já estão em processo de abandonar definitivamente o consumo do cigarro. Gradativamente, diz ele. “Eu comecei a fumar ainda na escola, aos 15 anos, mais por influência de outros colegas de mesma idade. A partir de então o cigarro era de  uso eventual, mas quando cheguei à maioridade, entrei na faculdade e comecei a trabalhar, o fumo acabava me ajudando a me concentrar e a controlar a ansiedade.

Com o passar dos anos, quando comecei a atuar na área jornalística, acabou se tornando um vício. Até que em 2010 resolvi parar e consegui. Não recorri a medicamentos, foi uma força de vontade que acabou tornando fácil largar o vício. Assim permaneci por vários anos, até que há dois anos, por conta da tensão pela qual o País e minha vida pessoal passaram, tive uma recaída e voltei a fumar. Entretanto, desde o ano passado voltei à batalha para largar.

Estou diminuindo o consumo de cigarro, e agora o fumo se tornou eventual, como quando entro em situações de grande tensão ou então naquele ‘fumo social’, quando estou com amigos. Mas o esforço agora é para deixar de lado isso também”, comentou.

Dia para lembrar problema

O Dia Nacional de Combate ao Fumo tem como objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco, conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Instituída em 1986 pela Lei Federal nº 7.488, a data inaugura a normatização voltada para o controle do tabagismo como problema de saúde coletiva.

“O tabagismo é considerado, hoje, a maior causa de mortes evitáveis do mundo, sendo responsável por doenças cardiovasculares, respiratórias e vários tipos de câncer”, pontua o cardiologista Aristóteles Alencar, coordenador estadual do Programa Nacional de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do Câncer. O especialista lembra que o covid-19 é uma doença viral e altamente inflamatória que se instala inicialmente no aparelho respiratório, tanto que os exames principais de controle são a tomografia de tórax e o controle da saturação de oxigênio. “O fumante já apresenta, em função do uso continuado e prolongado do tabaco, lesões no aparelho respiratório, como bronquite e enfisema. Essas alterações patológicas se constituem no terreno ideal para a proliferação do vírus”, alerta o cardiologista.

Hoje, no Amazonas, conforme Aristóteles Alencar, o programa tem realizado ações de prevenção e controle do tabagismo.

Ele cita os treinamentos, agora realizados por meio virtual, devido à pandemia, das equipes de saúde que tratam os fumantes, que estão localizadas no interior do Estado. Datas pontuais, como este Dia Nacional de Combate do Fumo, e o dia 31 de maio, Dia Mundial Sem Tabaco, também sao marcados por meio de ações presenciais como as palestras regulares nas escolas da rede pública, mas essas atividades foram suspensas, neste ano, em face da pandemia do Novo Coronavírus.

Os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) não são seguros e possuem substâncias tóxicas além da nicotina, divulgou o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) por meio do Portal Saúde Brasil.

Fonte : A crítica