A auxiliar administrativa Letícia Almeida de Araújo, 18, conta que estava em um show na Praça do Carmo, em Olinda (PE), durante o Carnaval, quando sentiu uma “queimação” no braço direito.
Ela pensou que era o contato com um cigarro, mas logo reparou em um furo pequeno no braço. O caso aconteceu no dia 9 de fevereiro.
Na hora, não consegui olhar direito, mas, quando encontrei um lugar mais calmo, vi que tinha um furo, com um pouco de sangue. Já tinha ouvido falar desses casos [carimbadores]. Vi o furo e pensei ‘e agora?’
O que aconteceu
Assim que notou o furo no braço, Letícia procurou um policial que estava na rua para saber o que poderia fazer. Ela recebeu a orientação de procurar um posto de saúde.
No local, os funcionários disseram que não poderiam ajudá-la e que ela deveria ir ao Hospital Correia Picanço, em Recife. Ela só conseguiu fazer isso no dia seguinte.
Com as festas, não tinha como pegar um Uber em Olinda, os táxis estavam caros. Era impossível. Na manhã do dia seguinte, fui ao hospital e recebi todo atendimento.
Fiz todos os exames de sangue, rapidamente, para HIV e hepatite, e todos deram negativos. Mas a médica explicou que algumas só poderiam aparecer depois de 30 dias ou mais.
A eficácia da PEP é de 95%, desde que o tratamento seja seguido corretamente, segundo dados do Ministério da Saúde. As medicações podem causar efeitos colaterais, como dor de cabeça e problemas intestinais, mas, na maioria dos casos, eles não costumam aparecer —ou somem rapidamente.

Casos no Recife e em Olinda
A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco registrou 29 atendimentos a pacientes furados por agulhas entre os dias 9 e 15 de fevereiro. Segundo os relatos, eles foram vítimas de lesões provocadas por agulhas em diversos focos de folia no Recife e em Olinda.
Dos 29 pacientes, 16 eram mulheres e 13 homens. Entre os locais de ocorrência, a maioria foi no Recife (no Galo da Madrugada e no Marco Zero) e houve ainda 11 casos em Olinda.
Em 2020, pelo menos 41 foliões foram vítimas de agulhadas dadas por pessoas não identificadas, entre os dias 15 e 23 de fevereiro, segundo a secretaria. Os registros ocorreram durante as festas de Carnaval em Recife, Olinda e Orobó (PE).
Não se sabe se as agulhas estavam ou não contaminadas. Popularmente, pessoas que saem furando indivíduos com objetos pontiagudos, como seringas e agulhas, com objetivo de passar doenças, são chamadas de “carimbadores”. O termo também diz respeito ao grupo que faz sexo sem camisinha e sem mencionar o HIV aos parceiros, no intuito de transmitir o vírus.






