Anderson Franco Neves, 45 anos, comemora neste domingo o terceiro Dia dos Pais ao lado dos filhos Eduardo e Fernanda

A cada novo Dia dos Pais, Anderson Franco Neves, 45 anos, olha para trás e confirma: foi “a melhor decisão da minha vida”. Ele se refere ao fato de ter optado pela paternidade solo, conseguida por meio de reprodução assistida dos gêmeos Eduardo e Fernanda.

“Sou de uma família grande, de 10 irmãos, mais de 20 sobrinhos, então a convivência familiar para mim é básica. Inicialmente, eu tinha a visão de que precisava de um relacionamento para ter um filho. Depois me dei conta de que casais acabam, muitos com brigas. Para mim ser pai é um sonho realizado. Posso passar amor, carinho, conhecimento, compartilhar coisas. É um vínculo eterno. Cada dia melhor, mais encantador”, comemora Anderson, que é solteiro e vive em São Paulo (SP).

Para festejar datas importantes como a deste domingo (9/8), porém, ele precisou superar receios e frustrações. Em junho de 2014, o empresário deu início ao processo de reprodução assistida com fertilização in vitro – a técnica consiste na coleta de espermatozoides e de óvulos para a fecundação em laboratório e posterior aplicação em um útero para gestação.

Duas de suas irmãs se ofereceram para participar de um procedimento conhecido como barriga solidária , também chamado de gestação de substituição ou doação temporária de útero, mas ambas gestações deram errado.

“Foram cinco anos tentando. Tentei com a irmã adotiva, foi descoberto um problema no útero dela. Depois tentei com outra irmã, também não deu certo, até que consegui com a barriga da minha sobrinha” lembra Anderson

O procedimento

Os espermatozoides dele foram fertilizados in vitro em óvulos de uma doadora anônima. A partir daí, o embrião foi transferido para o útero emprestado pela sobrinha. Após uma outra tentativa frustrada, veio a notícia tão aguardada. Com balões e cartazes, a mãe, as irmãs e a sobrinha anunciaram que Anderson seria pai de gêmeos.

A partir de então, vieram outros desafios comuns a todos os pais de primeira viagem que, no caso dele, foram potencializados por sua condição de pai solo.

“Um dos receios que eu tinha era quanto à amamentação. Eles não receberam leite materno. Mas, na primeira consulta, o pediatra me tranquilizou. Mães falecem no parto ou por inúmeros problemas e as crianças vivem bem. Hoje, há leites artificiais que suprem as necessidades dos bebês. Meus filhos são supersaudáveis, dentro das curvas de tamanho e peso”, festeja.

Na certidão de nascimento de Eduardo e Fernanda consta apenas o nome do pai – o espaço para o da mãe é uma lacuna. Uma situação inusitada, mas que Anderson encara com naturalidade. “Já vi as pessoas surpresas: estão mais habituadas a mães solteiras, pai solteiro é uma surpresa. No fim das contas, a reação é mais positiva do que negativa. As pessoas nas redes sociais me mandam mensagens dando parabéns, dizendo que também queriam ter.”

Fonte : metrópoles