Manaus | 4 de junho de 2026 | 15:22:31

Fala de Fernanda leva a debate sobre ‘esgotamento materno’ e saúde mental das mães

A participante do Big Brother Brasil 2024 Fernanda Bande causou repercussão e indignação nas redes sociais ao fazer comentários que foram considerados inadequados sobre a maternidade durante uma conversa com Giovana Pitel, sua colega no reality.

A confeiteira mencionou ter um “botão de demência” desde que se tornou mãe e admitiu que há momentos em que se sente sobrecarregada a ponto de pensar em atos extremos. Essas declarações levaram a debates acalorados na internet, com opiniões divergentes sobre a forma como Fernanda abordou o tema da maternidade.

Enquanto alguns fãs defenderam a confeiteira, alegando que ela estava apenas expondo a exaustão enfrentada por muitas mães, outros criticaram o tom das declarações e levantaram preocupações sobre as implicações por trás de tais palavras. O incidente levou a uma reflexão mais profunda sobre a responsabilidade das figuras públicas ao abordar questões sensíveis como a maternidade, especialmente em um ambiente televisivo de grande visibilidade como o Big Brother Brasil.

Em entrevista à reportagem de A CRÍTICA, a psicóloga amazonense especialista em relações familiares na abordagem sistêmica, Ariane Batista Nunes explicou quais os fatores que contribuem para o desgaste materno para com o cuidado dos filhos.“Além das mudanças no corpo, a carga de responsabilidade e a falta de uma rede de apoio, a pressão social e as expectativas irreais podem causar o esgotamento materno”, descreveu a especialista.

Um outro elemento importante a se destacar, segundo a psicopedagoga, é que o desgate fisco e mental da mãe não é sinônimo de que o amor materno acabou.“As mães são constantemente bombardeadas por pressões sociais que esperam delas que sejam perfeitas, capazes de equilibrar todos os aspectos da vida familiar e profissional, tendo em vista que a mulher precisa adaptar-se a todas as mudanças físicas e psicológicas impostas pelo puerpério enquanto aprende a alimentar, cuidar e confortar o recém-nascido. Muitas vezes, tudo é feito ao mesmo tempo em que ela toma conta de outros filhos e da casa, em meio a choros, fraldas e pedidos de atenção, a mãe exausta não significa que o amor pelo filho acabou, simboliza um pedido de ajuda”, ressaltou Nunes.

 O desafio de cuidar filhos PcDs

Para mães com filhos com deficiência (PcDs), os desafios são ainda maiores e, por muitas vezes, os obstáculos são para resolver mais complexos, como pontua Nunes.“Os desafios da maternidade atípica são diversos e depende principalmente da condição específica do filho. No entanto, alguns desafios mais comuns incluem: falta de rede de apoio, desafios financeiros, desafios físicos e emocionais, sociais. As mães atípicas podem se sentir cansadas, estressadas e sobrecarregadas. Como exemplo, há situações de mães que lutam incansavelmente pela inclusão escolar ou direito à atendimento por planos de saúde que lhe foram negados. Desafios sociais também, pois as mães atípicas podem se sentir discriminadas ou excluídas da sociedade”, acrescentou a psicóloga.

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