Além do tempo para a fabricação, logística para envio do material aos locais mais distantes do país é complexa.

Fabricantes de seringas temem não conseguir atender a demanda da produção do insumo para o início da vacinação contra a Covid-19. O risco de não ter o produto disponível é grande, especialmente em um momento em que o imunizante começa a ser aplicado e o item está sendo procurado em todo o mundo.

Informalmente, o Ministério da Saúde havia estimado a necessidade em cerca de 300 milhões de seringas para as empresas que fabricam o artigo no Brasil em uma reunião há quatro meses. Mas não houve uma solicitação oficial e nem aumento da produção.

Os empresários temem não conseguir atender a demanda quando houver necessidade. Pode acontecer problemas de abastecimento, como os corridos com luvas e máscaras, por exemplo.

“O mundo inteiro está demandando o mesmo insumo para a fabricação de seringas e, quando o mundo demanda, há escassez desses insumos. Então, você precisa trabalhar com prevenção, com planejamento, e se o governo não fizer a parte de planejamento dele, ele realmente corre o risco de ficar sem seringa, ele vai ter a vacina, mas não vai ter a seringa”, afirmou Tomé da Silva, diretor técnico. “Esse planejamento, você fazendo uma comparação com a partida de futebol, a gente está na prorrogação. Fica difícil”, explicou.

Por ano, em média, o Brasil consome mais de dois bilhões de seringas, cerca de dez por habitante. Cada vacina precisa de uma seringa, ampola e agulha diferentes.

Para visitar uma fábrica de seringas, torna-se necessário colocar uma roupa especial para não contaminar o ambiente. A linha de produção roda 24 horas em Manaus. A cada minuto, 250 seringas ficam prontas na linha de produção. O processo é rápido, mas é o problema é ter capacidade de atendimento no momento em que a demanda for grande.

Para transportá-las pelas regiões do país, as seringas só viajam de carreta por conta do volume. São dias e meses para chegar a uma localidade, dependendo de onde saem e para onde vão.

“Num momento desse, onde quem planeja as ações de saúde pública, planeja as ações sanitárias para defender o povo, se ele não fizer esse papel direito, isso atrapalha muito. Atrapalha a indústria, atrapalha todo seguimento, porque daqui a pouco você pode ter que decidir, como os médicos decidiram os respiradores, quem eu atendo, para quem vou mandar o produto, para qual estado, para qual cidade, qual população que eu vou atender”, concluiu Silva.

De acordo com o último boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), o Amazonas registra 183.830 casos da doença no estado. O número de mortes chega a 4.969.

Fonte: G 1 Am